
O Boletim Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central mostrou poucas variações em relação ao relatório anterior, mas mantém um pano de fundo exigente para a economia brasileira. A projeção mediana de inflação (IPCA) para 2026 recuou de 5,22% para 5,219%, uma melhora mínima que, na prática, ainda deixa a estimativa bem acima do centro da meta oficial. Para 2027, o mercado projeta 4,32%, sinalizando que o processo de queda da inflação deve ser lento.
O crescimento econômico estimado para 2026 teve leve revisão para baixo, passando de 1,85% para 1,83% ao ano. Para 2027, a projeção de 1,32% reforça a expectativa de desaceleração adicional da atividade, reflexo do ambiente de juros elevados por período prolongado e das incertezas em torno das contas públicas. O câmbio projetado para o fim de 2026 também recuou, de R$ 5,15 para R$ 5,13 por dólar, uma leve melhora, mas o patamar ainda reflete o prêmio de risco associado ao cenário fiscal.
A taxa Selic projetada para o fim de 2026 ficou estável em 13,25%, sem nenhuma alteração na semana. O dado chama atenção porque, mesmo com o Banco Central em ciclo de cortes de juros, o mercado embute apenas mais 50 pontos-base de redução até o fim do próximo ano, sinal de que os analistas interpretam o ciclo como curto e cauteloso, sem espaço para afrouxamento mais agressivo. Juros altos por mais tempo tendem a comprimir os resultados da bolsa, encarecer o crédito e moderar o crescimento.
No radar para as próximas semanas: as atas da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que devem detalhar o ritmo e o horizonte dos cortes de juros; os dados de inflação corrente, como o IPCA-15; e o resultado fiscal do governo central, principal termômetro do risco-país e do comportamento do câmbio. Dados de atividade econômica, como vendas no varejo e mercado de trabalho, também podem influenciar as projeções de PIB nas próximas leituras do Focus.





