Bolsa recua mais de 1% pressionada por ruído político interno e derrocada de gigantes de tecnologia nos EUA; câmbio avança pelo segundo dia

O pregão desta quinta-feira não trouxe alívio para a bolsa brasileira. O Ibovespa encerrou em queda pelo quarto dia seguido, cedendo mais de 1%, enquanto o dólar voltou a subir, acima dos R$ 5,38. O humor negativo se formou na combinação de um ambiente político doméstico carregado, com atenção ao Ministério da Fazenda e ao quadro fiscal, e de um exterior adverso, marcado por resultados trimestrais decepcionantes de duas das maiores empresas de tecnologia do mundo.

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Intel e Amazon derrubam Nasdaq e contaminam o apetite global

Wall Street fechou no vermelho, com o Nasdaq liderando as perdas. O movimento reflete a reação do mercado a resultados trimestrais aquém das expectativas de Intel e Amazon: a Intel desabou cerca de 19% em Nova York após apresentar queda de receita e guidance fraco em inteligência artificial; a Amazon recuou em torno de 6% com lucro abaixo do esperado, mesmo com expansão acelerada em infraestrutura de IA. O impacto se alastrou pelo sentimento global, reduzindo o apetite a risco em mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Ativo Variação Valor
Dólar ▲ 0,73% 5,385
Ibovespa ▼ 1,03% 169.186
Dow Jones ▼ 0,34% 52.343
S&P 500 ▼ 0,36% 7.720
Nasdaq ▼ 1,42% 26.185
Stoxx 600 ▲ 0,79% 649,11
FTSE 100 ▲ 0,29% 10.722
Petróleo Brent ▲ 1,21% 111,54
Bitcoin ▼ 2,47% 79.244
T-Note 10 anos (yield) ▼ 1,11% 4,989

Às 18h30 (Horário de Brasília)29/10/2026

Cenário doméstico pesa: fiscal e câmbio no radar

No front interno, o mercado operou com cautela diante da indefinição sobre a composição econômica do governo Lula a partir de 2025, com movimentações em torno do Ministério da Fazenda mantendo investidores atentos. O dólar avançou pelo segundo pregão consecutivo, refletindo a combinação de aversão a risco externo e ruído político local. Segundo o Valor Econômico, o ambiente de incerteza sobre o governo Lula 4 e o exterior estiveram no centro das pressões sobre câmbio e bolsa ao longo do dia.

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Ambev e Multiplan: resultados com sinais opostos

No campo corporativo, os resultados do trimestre movimentaram papéis específicos. A Ambev reportou lucro acima do consenso, mas a fraqueza nas vendas de cerveja no Brasil pesou sobre as ações de ABEV3, que recuaram. Em sentido contrário, a Multiplan apresentou salto de 73,3% no lucro líquido do terceiro trimestre, chegando a R$ 383 milhões, desempenho que destacou o papel num pregão de modo geral negativo para o índice.

Crédito imobiliário mais caro e petróleo em alta

No mercado de crédito, o Santander anunciou elevação nos juros do crédito imobiliário, seguindo movimento já adotado por Bradesco e Itaú, sinalização de que o custo do financiamento habitacional no país segue em trajetória ascendente. No exterior, o petróleo Brent fechou em alta de mais de 1%, superando US$ 111 o barril, o que pode influenciar ações do setor de energia na próxima sessão. O Bitcoin recuou mais de 2%, refletindo o clima de aversão a risco predominante no dia.

Com quatro pregões consecutivos no vermelho e o Ibovespa firme abaixo dos 170 mil pontos, o mercado chega ao fim de semana em posição defensiva. O próximo pregão será observado sob o mesmo conjunto de pressões: evolução do quadro político-fiscal doméstico e o desdobramento da temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos, que seguirá ditando o humor das bolsas globais.