O ouro encerrou a semana em forte queda, recuando 3,07% e fechando a sexta-feira em US$ 3.884,90 por onça, o nível mais baixo em mais de três meses. O movimento ganhou intensidade na quinta-feira, quando o Bureau of Economic Analysis (BEA) divulgou o crescimento do PIB americano do terceiro trimestre em 3,4% em ritmo anualizado, acima das projeções do mercado, e o núcleo do PCE também veio acima do esperado. Segundo o Kitco News, os dados reforçaram as apostas em uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em dezembro, aumentando o custo de oportunidade de manter o ativo sem rendimento.

Desempenho da semana · timeframe de 15 minutos
O movimento da semana combina ao menos dois fatores distintos: pressão macro e desalavancagem forçada. No campo macro, a leitura de PIB acima do consenso e a inflação pelo PCE persistente alimentaram o discurso dos hawkish no Fed, penalizando ativos sem rendimento como o ouro. No campo de fluxo, a USAGold reportou que a queda da bolsa de tecnologia gerou chamadas de margem ao longo da semana, obrigando gestores a liquidar posições em ouro, um dos ativos mais líquidos das carteiras. Segundo a xTB, outubro configura o pior mês para o metal desde 2008, com perda acumulada em torno de 6% no período. Esse conjunto de pressões simultâneas, monetária e de liquidez, amplificou a velocidade da queda mesmo num cenário em que dólar e yields também sinalizavam deterioração, o que normalmente sustentaria o metal.
No fechamento de sexta-feira, o preço de US$ 3.884,90 opera significativamente abaixo das médias móveis de referência: a MM100 diária está em US$ 4.243,76, distância de 8,5%, e a MM200 diária em US$ 4.519,25, distância de 14,0%. Ambas as médias funcionam como resistências dinâmicas relevantes acima do preço atual. A mínima da semana, em US$ 3.879,30, é o suporte imediato a ser observado no curtíssimo prazo. A máxima da semana, em US$ 4.097,20, representa a primeira zona de resistência relevante caso haja recuperação.

Estrutura de tendência diária (candles) · Fonte: TradingView
Para a próxima semana, os pontos a monitorar são: 1) Decisão e comunicado do Federal Reserve, que pode confirmar ou amenizar as apostas em alta de juros em dezembro; 2) Dados de emprego e payroll americano, que influenciam a leitura de inflação e trajetória dos juros; 3) Comportamento do preço em relação ao suporte imediato da mínima semanal em US$ 3.879,30 e à zona de US$ 3.900.

Desempenho histórico sazonal · últimos 6 anos · Fonte: TradingView
Editorial BolsaNews





