O otimismo que ainda permeava parte do mercado financeiro brasileiro no início do segundo semestre praticamente desapareceu. Levantamento pré-Copom conduzido pela XP entre os dias 26 e 30 de outubro, com 20 gestoras de fundos multimercados macro, revelou que 95% dos participantes carregam visão negativa sobre a economia do país, o nível mais elevado já registrado na série histórica da pesquisa. Nenhuma gestora adotou perspectiva positiva no período.

O resultado representa uma inversão expressiva em relação ao cenário de abril, quando o chamado ‘Kit Brasil’ ganhava adeptos entre as gestoras. A estratégia, que combina apostas em valorização da bolsa, recuo do dólar e redução dos juros domésticos, foi progressivamente desmontada a partir de junho e agora se encontra praticamente extinta nos portfólios consultados.

O estopim da reversão foi o pregão de 26 de outubro, sessão marcada por forte deterioração dos ativos domésticos. Naquele dia, o Ibovespa recuou 13,9%, o dólar avançou cerca de 8% e a curva de juros abriu mais de 250 pontos-base. Segundo a InfoMoney, a XP descreveu o movimento como a devolução, em um único pregão, de tudo o que havia sido construído no período anterior.

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Diante da reconfiguração de preços, as gestoras reduziram de forma relevante suas exposições ao conjunto de ativos domésticos e passaram a concentrar posições em dólar. A migração para a moeda americana, que havia começado de forma gradual em junho, se consolidou no período coberto pela pesquisa, refletindo a desconfiança crescente em relação ao cenário fiscal e à trajetória da inflação no país.

O ambiente de incerteza é o pano de fundo da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para esta quarta-feira. O colegiado define a taxa Selic sob pressão inflacionária e em meio à deterioração das expectativas do mercado, com gestores aguardando sinais sobre o ritmo e a magnitude dos próximos ajustes na política monetária brasileira.

Editorial BolsaNews

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