O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne na terça e quarta-feira da próxima semana em um dos contextos mais delicados do atual ciclo de política monetária. Após um período de relativo consenso que resultou em cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, levando-a a 13,75% ao ano em setembro, o comitê agora enfrenta uma reunião em que a própria direção da decisão permanece em aberto.

O cenário se deteriorou de forma expressiva após o segundo turno das eleições presidenciais. O dólar, que operava próximo de R$ 5,00, avançou para a faixa de R$ 5,40, e a curva de juros incorporou uma trajetória de aperto significativa à frente. Segundo o Estadão Economia, agentes do mercado financeiro identificam uma precificação de aproximadamente 150 pontos-base de alta da Selic ao longo dos próximos 12 meses, sinal de que as expectativas sofreram uma revisão relevante em curto espaço de tempo.

A pressão inflacionária resulta da combinação de fatores que se acumularam nas últimas semanas. A desvalorização cambial impacta diretamente os preços de bens importados e insumos industriais, ao passo que os combustíveis apresentam defasagem em relação às cotações internacionais, com potencial de reajuste à frente. Soma-se a esse quadro um conjunto de medidas com efeito sobre a demanda e os custos aprovadas ou anunciadas durante o período eleitoral, entre as quais a proposta de emenda constitucional que extingue a escala de trabalho 6 por 1, o reforço ao Bolsa Família e linhas de crédito voltadas a microempreendedores individuais.

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O presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, não apresentou até o momento um plano de ajuste fiscal que sinalize comprometimento com a consolidação das contas públicas, fator que os mercados têm apontado como condição para reduzir a incerteza. Sem esse sinal, o Banco Central permanece como único agente de contenção das pressões sobre os preços, posição que torna a reunião da próxima semana ainda mais sensível.

A principal variável em observação pelos analistas é a magnitude da revisão que o Copom fará em suas projeções de inflação, bem como a sinalização sobre os passos seguintes. A comunicação do comitê, incluindo o comunicado pós-reunião, deve ser lida com atenção pelo mercado como termômetro da disposição do Banco Central de reagir ao novo ambiente, em especial diante de uma conjuntura que combina câmbio depreciado, riscos fiscais e expectativas de inflação em movimento ascendente.

Editorial BolsaNews

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