Resultado presidencial brasileiro ainda em apuração enquanto Fed, BCE e BOJ decidem juros na quarta e quinta-feira; S&P futuro abre em alta moderada.
Os futuros de Wall Street reabrem a semana em terreno positivo, com o S&P e o Dow Jones operando em alta moderada, sinal de que o humor externo não é de aversão a risco, ao menos por enquanto. O cenário interno, porém, é outro: o Brasil chega à segunda-feira sem um resultado presidencial consolidado, após uma noite eleitoral marcada por decisões judiciais inéditas e apuração disputada voto a voto, o que deve manter o mercado doméstico em compasso de espera.
Eleição sem desfecho pressiona ativos brasileiros
Com a apuração do segundo turno indicando disputa extremamente apertada entre Lula e Flávio, segundo o Valor Econômico a diferença era de menos de meio ponto percentual com mais de 60% das urnas contadas, o mercado abre a semana diante de uma incógnita política de primeira grandeza. A indefinição sobre quem governará o país a partir de 2027 tende a ampliar a volatilidade em câmbio, juros futuros e bolsa enquanto o resultado não for oficializado. Governadores já eleitos em estados como Tocantins e Distrito Federal não mudam o quadro federal, que permanece como foco central.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Ouro | ▲ 0,05% | 4.010 |
| Petroleo Brent | ▼ 0,75% | 110,86 |
| Dow Jones Futuros | ▲ 0,18% | 52.486 |
| S&P Futuros | ▲ 0,27% | 7.681 |
Às 20h20 (Horário de Brasília)25/10/2026
Fed decide: mercado monitora tom de Powell
A quarta-feira concentra o evento de maior peso para mercados globais: a decisão do Federal Reserve sobre os juros americanos, seguida de comunicado e coletiva de Jerome Powell. Analistas monitoram não apenas a decisão em si, mas especialmente a linguagem do FOMC sobre o ritmo futuro do ciclo. Qualquer sinalização mais dura pode impactar emergentes, incluindo o real, já pressionado pela incerteza eleitoral doméstica. O mesmo dia traz o orçamento anual do Reino Unido, adicionando mais uma variável ao cenário externo.
BCE e BOJ: política monetária global em foco simultâneo
Na quinta-feira, Banco Central Europeu e Banco do Japão também anunciam suas decisões de política monetária, transformando a semana em um dos períodos de maior densidade de eventos monetários do ano. O BCE deve ser acompanhado de perto pelo impacto no euro e nas curvas de juros europeias, enquanto qualquer surpresa do BOJ, instituição que surpreendeu mercados em ciclos anteriores, tem potencial de gerar movimento em ativos globais de risco.
PIB e PCE dos EUA: dados que podem mudar o jogo
Também na quinta-feira, os EUA divulgam a leitura preliminar do PIB do terceiro trimestre e o índice de preços PCE núcleo, a métrica de inflação preferida do Fed. Os dois indicadores, publicados logo após a decisão do FOMC, funcionarão como teste de credibilidade para a narrativa do banco central americano. Um PIB abaixo do esperado combinado a um PCE resistente criaria o cenário mais desconfortável para o mercado: crescimento fraco com inflação persistente.
Foco doméstico: Focus e desemprego fecham a semana
Na segunda-feira, o Relatório Focus do Banco Central traz a atualização das expectativas do mercado para inflação, câmbio e crescimento, leitura que ganha peso adicional diante do ambiente político em aberto. Na sexta-feira, o IBGE divulga a PNAD Contínua Mensal com a taxa de desocupação de setembro, dado que compõe o quadro macroeconômico doméstico e pode influenciar a leitura sobre a trajetória da política monetária brasileira.
Agenda da Semana
- Relatório Focus (BC) Segunda-feira, 08h25.
- PNAD Continua Mensal (desocupacao) Divulgacao em 30/10 (fonte: IBGE).
- 🇬🇧 Annual Budget Release
- 🇺🇸 Federal Funds Rate
- 🇺🇸 FOMC Statement
- 🇺🇸 FOMC Press Conference
- 🇺🇸 Advance PIB (trimestral)
- 🇺🇸 Core PCE Price Index (mensal)
- 🇪🇺 Main Refinancing Rate
- 🇪🇺 Monetary Policy Statement
- 🇪🇺 ECB Press Conference
- 🇯🇵 BOJ Policy Rate
- 🇯🇵 Monetary Policy Statement
- 🇯🇵 BOJ Outlook Report
- 🇯🇵 BOJ Press Conference
Poucas vezes o calendário reuniu tantos gatilhos simultâneos em uma única semana: uma eleição presidencial brasileira sem desfecho claro, três bancos centrais de peso global decidindo juros em menos de 48 horas e indicadores americanos capazes de reconfigurar expectativas para o restante do ano. O mercado entra na semana com futuros em leve alta, mas a margem para surpresas, em qualquer direção, raramente foi tão ampla.





