O roteiro das missões corporativas brasileiras em busca de referências tecnológicas está mudando de hemisfério. Perfis de executivos e empresários no LinkedIn que antes exibiam registros em frente às sedes do Google ou passeios em veículos autônomos pelas ruas de São Francisco hoje mostram visitas às instalações da Tencent, da ByteDance e do Alibaba, além de imagens de robôs industriais e centros de pesquisa em cidades como Shenzhen, Xangai e Hangzhou.

O fenômeno ganhou tração especialmente a partir do ano passado, quando a China flexibilizou as exigências de visto para viagens de curta duração, facilitando o planejamento de missões corporativas sem o trâmite burocrático que historicamente inibia esse tipo de deslocamento. Com o caminho mais acessível, delegações de empresários passaram a incluir visitas a incubadoras de startups, universidades e centros de pesquisa, além dos pontos turísticos tradicionais do país.

Para o empresário de origem chinesa In Hsieh, um dos pioneiros na organização desse tipo de missão ao país asiático, o movimento reflete uma reorientação mais profunda no imaginário corporativo brasileiro. Segundo ele, o que antes era novidade no ecossistema californiano chega ao Brasil com rapidez cada vez maior, esvaziando o apelo de uma visita presencial. O modelo de inspiração centrado no Vale do Silício, em sua avaliação, teria perdido a capacidade de surpreender executivos em busca de referências genuinamente inéditas.

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A percepção de que a fronteira da inovação se deslocou para o Oriente é reforçada pelo crescimento de empresas chinesas em segmentos como inteligência artificial, mobilidade autônoma e manufatura avançada. Robôs humanoides, plataformas de e-commerce de escala sem paralelo ocidental e modelos de negócio construídos sobre infraestrutura digital densa têm atraído a atenção de setores que vão do varejo à indústria, passando por fintechs e agronegócio.

Agências especializadas em viagens de executivos relatam, segundo a Folha Mercado, um movimento de procura crescente e concentrado pela China, sugerindo que a tendência já ultrapassa o interesse individual e começa a configurar um padrão de mercado. A demanda sinaliza uma reavaliação estratégica de onde buscar benchmarks de transformação digital e modelos de negócio aplicáveis ao contexto brasileiro.

Editorial BolsaNews

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