Boletim Focus - 2026-09-25

O Boletim Focus divulgado nesta semana trouxe um sinal de alerta para o mercado: a inflação esperada para o fim de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, enquanto a projeção de crescimento do PIB recuou de 1,88% para 1,86%. A combinação de preços mais altos e economia crescendo menos coloca o cenário macro em terreno mais delicado.

A projeção do IPCA se aproxima do teto da banda de tolerância da meta, e a expectativa para 2027 também permanece elevada, em 4,31%. Isso indica que o mercado não vê a inflação recuando rapidamente nos próximos anos, uma pressão adicional sobre o Banco Central, que recentemente iniciou um ciclo de cortes na Selic. Com a inflação projetada ainda subindo, o ritmo de redução dos juros pode ser mais lento do que parte do mercado antecipava.

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Câmbio e Selic ficaram sem alteração: o dólar segue projetado a R$ 5,20 para o fim de 2026, e a taxa básica de juros permanece esperada em 13,50%, nível ainda bastante restritivo. A estabilidade dessas duas variáveis evita novos sustos imediatos, mas não resolve o quadro geral.

O ambiente descrito pelo Focus tende a pressionar o Ibovespa, que opera em um contexto de margens corporativas mais apertadas e menor apetite por risco. Na renda fixa, a combinação de inflação em alta com Selic estável nas projeções aumenta a atenção sobre os juros longos, que podem refletir um prêmio de risco inflacionário crescente.

Para as próximas semanas, o mercado acompanha a divulgação de dados de inflação corrente, declarações de diretores do Banco Central sobre o ritmo dos cortes de juros, indicadores de atividade econômica e o comportamento do câmbio à vista, qualquer depreciação adicional do real pode alimentar ainda mais as expectativas de inflação.

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