A Vale encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,255 bilhão, recuo de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 9% frente ao segundo trimestre. O resultado ficou próximo à estimativa de US$ 1,38 bilhão compilada pela LSEG, mas expõe a pressão acumulada sobre a companhia ao longo do ano.
O Ebitda ajustado totalizou US$ 3,32 bilhões, com queda de 24% na base anual. Na versão proforma, que exclui os impactos financeiros relacionados ao desastre de Brumadinho e ao programa de descaracterização de barragens, o indicador atingiu US$ 3,5 bilhões, recuo de 20%. A mineradora atribuiu o desempenho à redução dos preços realizados de finos de minério de ferro e às pressões externas de custos, incluindo o encarecimento do frete marítimo. A receita líquida de vendas, no entanto, avançou 2% na comparação anual, para US$ 10,6 bilhões, sustentada pelo crescimento de 4% nos volumes embarcados no período.
O segmento de Soluções de Minério de Ferro, principal fonte de geração de caixa da companhia, registrou Ebitda de US$ 2,63 bilhões, contração de 34% na base anual. A divisão foi afetada simultaneamente pelos preços realizados menores, pela valorização do real frente ao dólar e pelo aumento dos custos operacionais e de frete. O cenário reforça a vulnerabilidade do negócio central da Vale a variáveis que estão, em grande parte, fora de seu controle direto.
Em sentido oposto, a divisão de metais básicos voltou a desempenhar papel relevante no resultado consolidado, servindo de amortecedor parcial para o desempenho fraco do ferro. O desempenho do cobre, em particular, compensou parte das pressões enfrentadas no segmento de ferro e níquel, segundo o Money Times, embora o mercado avalie se essa dinâmica tem capacidade de se sustentar ao longo de 2027.
No campo das perspectivas, o JPMorgan avaliou que o atual choque de fretes não representa uma mudança estrutural no perfil de custos da mineradora. O papel acumula queda de 10,29% em 2026 e opera próximo à mínima do ano, o que levou o diretor financeiro da companhia a mencionar, durante a teleconferência de resultados, que o patamar atual das ações abre espaço para recompras. O desempenho do ativo continuará sendo monitorado à medida que o mercado digere os números do trimestre e avalia o cenário para o minério de ferro no próximo ano.
Editorial BolsaNews





