As ações do Banco do Brasil (BBAS3) operavam em queda de 5,58%, cotadas a R$ 24,86, por volta das 15h desta terça-feira, após o JPMorgan revisar para baixo sua avaliação sobre o papel. O banco de investimento americano passou a adotar posição mais pessimista em relação à instituição, projetando um intervalo de valor justo entre R$ 22 e R$ 23 segundo seus analistas, o que representaria recuo de cerca de 13% frente ao fechamento registrado na sessão anterior.
Em relatório divulgado nesta terça-feira, o JPMorgan listou um conjunto de fatores que, na avaliação de seus analistas, deve pressionar os resultados do banco estatal ao longo dos próximos trimestres. O principal deles é a deterioração da carteira de crédito rural: a instituição projeta uma perspectiva mais desafiadora para os créditos inadimplentes do setor agropecuário a partir de julho e agosto, período em que as pressões sazonais tendem a se intensificar.
Além da inadimplência do produtor rural, os analistas apontam dois vetores adicionais de risco. O fortalecimento do real é avaliado como um fator desfavorável para o desempenho financeiro do banco, enquanto o risco do El Niño permanece no radar, mesmo com a leve recuperação observada nos preços das commodities agrícolas em período recente. O banco viu seu lucro recuar de forma expressiva nos últimos balanços, em meio a um dos ciclos mais difíceis para o crédito no agronegócio brasileiro.
O JPMorgan também abordou a questão do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Segundo o relatório, a redução desse indicador torna o papel comparativamente menos atrativo frente a outras oportunidades disponíveis no mercado brasileiro. O banco reconhece que o ativo pode continuar sendo tratado por parte do mercado como instrumento sensível ao cenário político, mas avalia que esse argumento não compensa a perspectiva de resultados mais fracos no horizonte próximo.
O movimento de baixa desta sessão ocorre em contraste com o desempenho recente do papel. O JPMorgan observou que o Banco do Brasil havia acumulado valorização de cerca de 20% em dólar desde a sexta-feira anterior, performance comparável à de outras instituições financeiras brasileiras e superior à variação do índice EWZ no mesmo período. A queda desta terça-feira reflete a reavaliação do mercado diante das perspectivas apresentadas no relatório, segundo informações da Money Times.
Editorial BolsaNews





