O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, com divulgação prevista para esta sexta-feira (9), deve registrar avanço expressivo e encerrar o período com a inflação acumulada em 12 meses acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%. A mediana das projeções coletadas pelo Broadcast indica alta de 0,76% no mês, revertendo a queda de 0,32% registrada em agosto e elevando o acumulado anual de 4,22% para 4,51%.
O principal fator por trás da aceleração esperada é o comportamento dos preços administrados, em especial as tarifas de energia elétrica. Em agosto, o bônus de Itaipu havia proporcionado redução temporária nas contas de luz, efeito que se dissipou integralmente em setembro, gerando impacto de sentido oposto sobre o índice cheio. Analistas de Daycoval e ASA, cujas projeções individuais ficam em 0,72% e 0,75%, respectivamente, convergem nesse diagnóstico.
Além da energia, outras pressões setoriais devem contribuir para o resultado. O ASA projeta aceleração na alimentação no domicílio, com destaque para os alimentos in natura. Já o Daycoval aponta pressão adicional vinda de passagens aéreas e da gasolina, que deve retornar ao campo positivo após registrar variação negativa no mês anterior.
Analistas ressaltam, porém, que a leitura do índice cheio precisa ser acompanhada de uma análise cuidadosa de sua composição. A reversão de um desconto temporário nas tarifas de energia explica boa parte da mudança entre os dois meses, ao passo que os núcleos de inflação e os preços de serviços, indicadores que captam a tendência estrutural da inflação, serão determinantes para avaliar a real pressão sobre os preços.
O dado ganha relevância adicional no contexto macroeconômico atual. O ambiente externo, marcado pela valorização do petróleo, representa um vetor de incerteza para a trajetória dos preços domésticos, conforme destacado pelo Money Times. Nesse cenário, o resultado de setembro será observado com atenção pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nos dias 3 e 4 de novembro para deliberar sobre o nível da taxa Selic.
A leitura acima do teto da meta reacende o debate sobre os desafios enfrentados pelo Banco Central para ancorar as expectativas inflacionárias, em um momento em que o ciclo de política monetária segue sob escrutínio do mercado financeiro.
Editorial BolsaNews





