A Vale tornou pública nesta sexta-feira (9) a sanção aplicada a Marcelo Gasparino da Silva, que ocupava a vice-presidência do conselho de administração da mineradora. A medida, que culminou na destituição do executivo, foi motivada pelo que a companhia classificou como vazamento deliberado de informações de caráter confidencial e não público.
A apuração foi conduzida por um escritório jurídico externo contratado de forma independente pelo próprio conselho. A investigação concluiu que houve repasse intencional de dados internos relacionados à reunião do colegiado realizada em 19 de junho de 2026. Segundo o Valor Econômico, o próprio Gasparino reconheceu, em duas oportunidades distintas, ter encaminhado a um analista de mercado externo a minuta de manifestação e voto de sua autoria.
A decisão pelo afastamento seguiu recomendações formais da diretoria de auditoria e conformidade e do comitê de auditoria e risco da Vale. A companhia ressaltou que todas as etapas do processo foram conduzidas de forma técnica e diligente, e que o ex-conselheiro teve múltiplas chances de apresentar sua defesa ao longo da apuração.
A destituição dependeria, em condições ordinárias, de ratificação em assembleia de acionistas. Contudo, Gasparino antecipou o desfecho ao apresentar renúncia voluntária ao cargo em 22 de julho, tornando desnecessária a consulta formal ao corpo societário.
O episódio reacende o debate sobre governança corporativa em grandes companhias de capital aberto, em particular quanto aos mecanismos de proteção de informações privilegiadas no âmbito de conselhos de administração. A Vale não divulgou o conteúdo específico dos documentos repassados nem identificou o analista externo destinatário das minutas.
Editorial BolsaNews





