O minério de ferro encerrou a semana com alta de 0,24%, fechando em US$ 90,90 por tonelada, mas o número positivo mascara uma semana de forte pressão: ao longo dos cinco pregões, o ativo atingiu mínimas de mais de dois anos, chegando a recuar até US$ 89,85 a tonelada em Cingapura na sessão de quinta-feira, segundo a Reuters, com repercussão em veículos como InfoMoney e ISTOÉ Dinheiro. A recuperação aconteceu apenas no fechamento de sexta-feira, sustentada por compras na baixa e sinais marginais de melhora nas margens das siderúrgicas chinesas.

Desempenho da semana · timeframe de 15 minutos
O movimento classifica-se como pressão fundamentalista de oferta e demanda, com recuperação técnica pontual no último pregão. Os três vetores de queda foram identificados durante a semana: demanda fraca na China após o feriado nacional, com aumento nas manutenções de altos-fornos; oferta global abundante, com estoques nos portos chineses chegando a 152,66 milhões de toneladas, alta de 0,19% ante a semana anterior, conforme dados da consultoria Steelhome reportados pela Reuters; e perspectiva de aumento de oferta do projeto Simandou, na Guiné. A recuperação de sexta-feira foi descrita por analistas ouvidos pela Reuters como uma recuperação técnica temporária, com aproximadamente 8% das siderúrgicas chinesas operando no lucro, dado insuficiente para sustentar uma reversão estrutural de curto prazo.
O preço atual de US$ 90,90 opera com distância expressiva abaixo das médias móveis de longo prazo: a MM100 diária está em US$ 97,72 e a MM200 diária em US$ 101,69, configurando uma estrutura descendente sem suporte das médias. A mínima da semana em US$ 90,57 funciona como suporte imediato; a máxima em US$ 90,90, que coincide com o fechamento de sexta-feira, é a resistência mais próxima a ser monitorada. O ativo opera cerca de 7% abaixo da MM100 e quase 12% abaixo da MM200, reforçando a dominância das médias como tetos técnicos relevantes.

Estrutura de tendência diária (candles) · Fonte: TradingView
Três pontos a acompanhar na próxima semana: (1) evolução dos estoques nos portos chineses, com o nível atual de 152,66 milhões de toneladas servindo de referência para leitura da dinâmica de oferta; (2) dados de produção e utilização de altos-fornos na China, que indicarão se a retomada operacional pós-feriado ganha tração; (3) comportamento do preço em relação à mínima semanal de US$ 90,57 e à resistência de US$ 90,90, que serão os níveis de referência para o fluxo de ordens nos primeiros pregões.

Desempenho histórico sazonal · últimos 6 anos · Fonte: TradingView
Editorial BolsaNews





