Bolsa acumula perdas expressivas em dois pregões; moeda americana cede mais de 1% em movimento de acomodação após forte alta da véspera.

O mercado brasileiro operou em terreno negativo pelo segundo pregão seguido, num dia marcado pela digestão do resultado eleitoral e pela persistência das incertezas fiscais. O dólar, que havia disparado na véspera, operou em queda e cedeu mais de 1%, refletindo um movimento técnico de ajuste. Enquanto isso, as bolsas americanas foram na direção oposta, com ganhos puxados pelo setor de tecnologia.

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Bolsa recua em sessão de ajuste pós-eleição

O Ibovespa voltou a ceder, ainda sob o peso do ambiente político doméstico após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento reflete a cautela dos agentes financeiros em relação ao perfil de política econômica do novo governo, sobretudo no que diz respeito ao arcabouço fiscal. As taxas dos DIs, que haviam disparado na véspera, exibiram baixas firmes ao longo da sessão, sinalizando algum alívio técnico na curva de juros, mas sem dissipar as incertezas que dominam o mercado.

Ativo Variação Valor
Dólar ▼ 0,36% 5,352
Ibovespa ▼ 1,03% 175.710
Dow Jones ▲ 0,04% 52.378
S&P 500 ▲ 0,60% 7.723
Nasdaq ▲ 1,18% 26.478
Stoxx 600 ▲ 0,44% 643,68
FTSE 100 ▼ 0,76% 10.687
Petróleo Brent ▲ 0,03% 109,74
Bitcoin ▲ 0,78% 80.631
T-Note 10 anos (yield) ▲ 0,14% 4,993

Às 18h30 (Horário de Brasília)27/10/2026

BBAS3 e Gerdau pesam no pregão doméstico

Entre os destaques negativos do dia, os papéis do Banco do Brasil (BBAS3) fecharam em queda acentuada, acumulando perdas expressivas em dois dias e mantendo o mercado em postura de cautela diante da troca de governo. A Gerdau (GGBR4) também operou em queda, mesmo após a divulgação de resultados do terceiro trimestre considerados positivos, com desempenho robusto nas operações nos Estados Unidos e geração de caixa sólida, o que ilustra um ambiente em que boas notícias corporativas têm dificuldade de se impor frente ao ruído macropolítico.

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Wall Street sobe com tecnologia e apostas em IA

No exterior, o humor foi distinto: as bolsas americanas fecharam em alta, com o S&P 500 e o Nasdaq liderando os ganhos, impulsionados pelo setor de semicondutores e pelo entusiasmo contínuo em torno da inteligência artificial. O movimento favoreceu ativos de risco globalmente, mas não foi suficiente para conter as perdas do mercado brasileiro, que opera sob dinâmica própria neste momento pós-eleitoral. A Boeing, na contramão, registrou queda e limitou o avanço do Dow Jones, que encerrou praticamente estável.

Dólar alivia, mas cenário ainda exige atenção

A moeda americana devolveu parte da valorização intensa registrada no dia anterior e fechou abaixo de R$ 5,36, num movimento interpretado como ajuste técnico após o solavanco eleitoral. O alívio, no entanto, não sinaliza reversão de tendência: o yield do Treasury de 10 anos americano segue próximo a 5%, mantendo pressão global sobre moedas emergentes, incluindo o real. O petróleo Brent operou praticamente estável, sem oferecer impulso relevante para os ativos brasileiros ligados ao setor.

O mercado encerra o dia em compasso de espera, com os agentes financeiros atentos à sinalização do presidente eleito sobre os nomes e diretrizes da equipe econômica, fator que deve ditar o ritmo do humor doméstico nos próximos pregões. No exterior, o comportamento dos juros americanos e o fluxo para ativos de risco continuam como variáveis a monitorar.