Lojas Renner despenca mais de 10% e lidera perdas do índice; Fleury sobe mais de 10% e destoa do humor geral do mercado

O pregão desta tarde consolida um dia adverso para a bolsa brasileira, com o Ibovespa operando em queda próxima a 2% nesta tarde, impactado por realizações generalizadas em papéis de peso. A PTAX oficial do dia foi fixada abaixo dos R$ 5,10, refletindo o recuo do dólar no mercado à vista. No cenário externo, a abertura de Wall Street trouxe pouco alívio: o payroll fraco divulgado na semana mantém o mercado dividido sobre o ritmo do Federal Reserve, e a disputa entre o governo Trump e a cúpula do banco central americano segue no radar.

Lojas Renner e Magalu lideram perdas no varejo

O setor de varejo figura entre os grandes vilões da sessão, com Lojas Renner e Magazine Luiza registrando quedas de dois dígitos e acima de 5%, respectivamente. O movimento reflete a combinação de um ambiente de juros domésticos elevados, que pressiona o custo de capital das varejistas, com preocupações renovadas sobre inadimplência no crédito ao consumidor, contexto que também ressurge no debate sobre o Desenrola 2.0, cujo índice de inadimplência, embora elevado, ainda opera dentro dos limites do programa, segundo o UBS BB.

Publicidade
Ativo Variação Valor
Ibovespa ▼ 1,93% 172.303
Dólar ▼ 0,50% 5,084

Às 16h20 (Horário de Brasília)07/08/2026

Maiores Altas do Dia (Ibovespa)

Ativo Variação Valor
FLEURY (flry3) ▲ 10,24% 19,06
AZZAS 2154 (azza3) ▲ 4,20% 16,88
COGNA ON (cogn3) ▲ 1,37% 2,220
PETRORECSA (recv3) ▲ 1,09% 10,20
EMBRAER (embj3) ▲ 0,81% 92,32

Maiores Baixas do Dia (Ibovespa)

Ativo Variação Valor
LOJAS RENNER (lren3) ▼ 10,49% 12,12
BBSEGURIDADE (bbse3) ▼ 7,11% 38,17
CSNMINERACAO (cmin3) ▼ 5,67% 5,490
MAGAZ LUIZA (mglu3) ▼ 5,23% 4,350
ENERGISA (engi11) ▼ 5,14% 47,03

Petrobras recua apesar de bons resultados no 2T

A Petrobras opera em queda mesmo após divulgar resultados sólidos no segundo trimestre e anunciar dividendos. O mercado parece precificar incertezas sobre o horizonte da política de distribuição de proventos e sobre a estratégia de expansão da companhia. O presidente da empresa afirmou ao Valor Econômico que a meta é atingir 100% do consumo de diesel brasileiro entre 2027 e 2031, o que implica investimentos relevantes. A pressão sobre o papel puxa consigo CSN Mineração, que também figura entre as maiores baixas do dia.

Fleury dispara e Azzas sustentam alta contra o fluxo

Em contramão ao humor predominante, Fleury lidera as altas do Ibovespa com valorização de dois dígitos, movimento que destoa da tendência geral e chama atenção pelo volume. Azzas 2154 também avança com força; a empresa esclareceu ao mercado, conforme informou o Valor Econômico, que uma projeção divulgada sobre a grife Cris Barros ocorreu sem o conhecimento da diretoria de relações com investidores, nota que pode ter contribuído para aliviar incertezas e sustentar o papel.

Publicidade

Fed e clima amplificam a cautela na tarde

O ambiente externo contribui para a aversão ao risco nesta tarde de pregão. A tentativa do governo Trump de demitir a diretora do Federal Reserve, mesmo após decisão contrária da Suprema Corte americana, mantém o debate sobre a independência do banco central dos EUA aceso. Domesticamente, o ciclone-bomba que afeta o Rio Grande do Sul e coloca São Paulo e Rio de Janeiro em alerta por ventos fortes adiciona um vetor de incerteza operacional para empresas de energia e logística, com Energisa entre os papéis mais pressionados na sessão.

Com o ajuste do dólar futuro e a PTAX já definidos, o mercado segue a tarde de pregão em modo defensivo. A agenda do fim de semana, com o cenário fiscal doméstico e os desdobramentos da política monetária americana em foco, deve continuar pautando o posicionamento dos operadores nas próximas sessões.

Editorial BolsaNews