
O Boletim Focus divulgado nesta semana mostrou um mercado essencialmente parado, mas com um sinal de alerta que persiste: a inflação projetada para 2026 voltou a subir, ainda que de forma marginal. A mediana do IPCA para o ano avançou de 5,0176% para 5,0227%, mantendo a expectativa bem acima do teto da meta oficial de 4,5%. Para 2027, a projeção está em 4,24%, também acima do centro da meta de 3,5%, o que indica que o mercado não vê a inflação voltando ao alvo tão cedo.
No campo do crescimento econômico, a projeção de PIB para 2026 ficou praticamente inalterada, em 1,98%. Para 2027, o mercado já projeta desaceleração mais visível, com alta de apenas 1,50%, reflexo esperado do impacto dos juros elevados sobre a atividade ao longo do tempo. O câmbio projetado para o fim do ano se manteve estável em R$ 5,20, sem pressão adicional sobre o real no horizonte imediato.
A taxa Selic projetada para dezembro de 2026 também ficou estável, em 13,75% ao ano. Com a taxa atual em 14,00%, o mercado precifica apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, sinal de que ninguém espera um ciclo de afrouxamento rápido enquanto a inflação seguir acima do teto da meta.
O ambiente de juros ainda elevados e inflação persistente tende a pesar sobre ativos de risco. O Ibovespa opera nesse contexto de limitação de apetite, enquanto a curva de juros futuros mantém prêmios elevados, especialmente nos prazos mais longos. O câmbio estável, por ora, evita uma piora adicional no cenário inflacionário via preços importados.
Nos próximos dias, o mercado acompanha novas leituras de inflação e seus componentes, além de eventuais sinalizações do Banco Central sobre o ritmo dos próximos passos na política de juros. No exterior, as decisões e comunicações do Federal Reserve, banco central americano, também podem influenciar o câmbio e, por consequência, a trajetória da inflação doméstica.





