A bolsa brasileira registra em agosto um dos episódios mais intensos de retirada de capital estrangeiro desde 2008. O saldo mensal de investidores não residentes está negativo em R$ 22 bilhões, configurando o terceiro maior fluxo de saída em um único mês nos últimos dezesseis anos, segundo o Valor Econômico.

Diante da dimensão do movimento, o J.P. Morgan avalia que o Ibovespa pode estar operando acima do que seria considerado seu valor justo. A leitura do banco parte da premissa de que saídas de tal magnitude tendem a exercer pressão sobre os preços dos ativos negociados no índice, distorcendo a relação entre cotação e fundamentos.

O banco também indica que o ciclo de retiradas pode não ter se encerrado, projetando que os fluxos negativos se prolonguem nos próximos períodos. A avaliação considera, no entanto, que historicamente os fluxos de capital estrangeiro não apresentam correlação direta com o calendário eleitoral brasileiro, o que afasta essa variável como fator explicativo central do movimento atual.

Publicidade

O episódio reacende o debate sobre a dependência do mercado acionário brasileiro ao capital externo. Fluxos de não residentes costumam ter peso relevante na formação de preços da B3, especialmente em momentos de menor participação do investidor institucional doméstico. A intensidade da retirada observada neste mês coloca o movimento entre os mais expressivos da história recente do mercado local.

O Ibovespa acumula volatilidade elevada no período, refletindo o desequilíbrio entre oferta e demanda provocado pela sequência de saídas. Analistas monitoram os próximos registros de fluxo para avaliar se haverá estabilização ou continuidade do movimento de redução de exposição ao mercado acionário brasileiro por parte dos investidores estrangeiros.

Editorial BolsaNews

Publicidade