Os contratos futuros de café arábica negociados na bolsa ICE registraram forte valorização nesta segunda-feira (24), encerrando o pregão com alta de 5,9%, a US$ 3,4165 por libra-peso. Durante a sessão, os preços chegaram a US$ 3,4255, marcando o nível mais elevado em seis semanas. O primeiro vencimento do contrato operou acima desse patamar, atingindo o valor mais alto desde janeiro.

O movimento de alta reflete um quadro de oferta física restrita nos pontos de entrega certificados pela ICE. Os estoques de arábica monitorados pela bolsa continuaram a recuar e se aproximam da menor marca registrada nos últimos 26 anos, adicionando pressão sobre os contratos de curto prazo e aprofundando a estrutura de mercado invertida, na qual os vencimentos mais próximos são negociados a prêmio em relação aos mais longos.

O início do período de notificação de entrega do primeiro contrato contribuiu para ampliar o movimento. Segundo o Money Times, o corretor e consultor de café Mike Nugent observou que a abertura desse ciclo transcorreu com volumes reduzidos, com apenas algumas dezenas de notificações registradas. Para Nugent, o mercado de curto prazo sinalizou que a existência de café em outros pontos do globo não equivale, necessariamente, à disponibilidade imediata do produto nas condições exigidas para entrega na bolsa.

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Agentes do mercado apontam que, embora a estrutura de preços sinalize expectativa de melhora na oferta ao longo do tempo, persistem incertezas sobre o ritmo com que o café será escoado dos países produtores até os centros consumidores. Esse intervalo logístico sustenta a pressão nos contratos com vencimento mais imediato, mesmo diante de perspectivas mais favoráveis para os próximos ciclos de colheita.

O café robusta também avançou na sessão, com alta de 5,1%, negociado a US$ 3.802 por tonelada, acompanhando o movimento do arábica em um contexto de demanda aquecida e restrições generalizadas de oferta física.

O cenário de pressão sobre os preços, contudo, pode não se sustentar no médio prazo. Uma pesquisa da Reuters aponta que os preços do arábica podem recuar 8,8% até o final de 2026, caso o excedente global para a safra 2026/27 se expanda de 1,7 milhão para 8,2 milhões de sacas. A realização desse cenário dependeria de condições climáticas favoráveis e de uma normalização dos fluxos logísticos entre produtores e consumidores nos próximos meses.

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Editorial BolsaNews