As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta quinta-feira (15) sob forte pressão de venda, em movimento que refletiu o recuo de Wall Street na sessão anterior após a divulgação de dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos acima do esperado. O resultado alimentou temores de que o Federal Reserve mantenha uma postura mais restritiva por mais tempo, penalizando especialmente o setor de tecnologia e de semicondutores ao redor do mundo.
Em Seul, o Kospi recuou 7,57% na maior queda em uma única sessão desde 28 de julho. O índice sul-coreano havia renovado máxima histórica em junho, impulsionado pelo otimismo em torno da inteligência artificial, mas reverteu parte relevante desse avanço nas últimas semanas. As fabricantes de chips Samsung Electronics e SK Hynix operaram entre as maiores perdas do pregão, cedendo 9,5% e 11%, respectivamente.
Diante da intensidade da queda, autoridades financeiras sul-coreanas convocaram uma reunião emergencial. A Comissão de Serviços Financeiros do país sinalizou tolerância zero a condutas que possam desestabilizar o mercado, incluindo boatos, manipulação de preços e operações ilegais de venda a descoberto, conforme informou o Financial Times.
Em Tóquio, o Nikkei recuou 4,90% no pior desempenho desde março. O movimento foi amplificado por perdas em empresas do setor de tecnologia e semicondutores listadas na bolsa japonesa: o SoftBank Group cedeu 9,3%, a Tokyo Electron recuou 7,8% e a Kioxia Holdings despencou 12,3%. O resultado reflete a sensibilidade do mercado japonês às variações de expectativa sobre a política monetária americana, dado o peso do setor de tecnologia em sua composição.
Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,03%, com o subíndice de tecnologia recuando 2,7% ao menor patamar desde setembro de 2024. Em Taiwan, o Taiex tombou 3,41%, com a TSMC, maior fabricante de semicondutores por contrato do mundo, acumulando perda de 2% na sessão. O resultado reforça o alcance global da aversão a risco desencadeada pelo dado de inflação norte-americano, com os ativos ligados ao ciclo de inteligência artificial e de chips entre os mais vulneráveis ao ajuste de expectativas sobre juros.
Editorial BolsaNews





