O mercado acionário brasileiro registrou uma entrada histórica de capital externo na segunda-feira, 5 de outubro, primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais. Investidores estrangeiros alocaram R$ 10,06 bilhões em ações já listadas na B3, valor sem precedente na série histórica compilada desde 2012, segundo o Valor Econômico.

O montante superou com folga o recorde anterior, de R$ 8,4 bilhões, registrado em 9 de abril deste ano. A magnitude do fluxo surpreendeu participantes do mercado e reabriu o debate sobre a sustentabilidade do movimento nos pregões seguintes.

O resultado eleitoral foi o principal catalisador. A liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a configuração mais conservadora do Congresso Nacional renovaram as apostas de parte dos investidores em uma reorientação da política econômica, elevando o apetite por ativos domésticos.

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Na esteira do resultado, instituições financeiras de grande porte ajustaram suas posições em relação à bolsa brasileira. Morgan Stanley e J.P. Morgan passaram a adotar postura mais favorável ao mercado de ações local, enquanto o Citi montou exposição comprada no Ibovespa futuro, sinalizando que a percepção de risco sobre o Brasil sofreu revisão relevante entre gestores internacionais.

Para uma parcela do mercado, o volume registrado na segunda-feira pode representar o início de um ciclo mais amplo de alocação em ativos brasileiros, e não um evento isolado. A combinação entre o cenário político em transição e o reposicionamento de bancos estrangeiros alimenta a hipótese de continuidade dos fluxos, embora analistas ressaltem que o segundo turno e a definição do programa econômico do eventual vencedor serão determinantes para o comportamento do capital externo nas próximas semanas.

Editorial BolsaNews

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