Índice do medo brasileiro desabou mais de 27% no pregão; bancos e B3 lideraram as altas com ganhos de dois dígitos.

O mercado brasileiro viveu um dos pregões mais intensos dos últimos anos nesta segunda-feira. O Ibovespa fechou em alta de cerca de 7,7%, atingindo pela primeira vez a marca dos 206 mil pontos, enquanto o dólar recuou mais de 4%, a maior queda diária da moeda desde 2018, voltando a operar abaixo dos R$ 5. O gatilho foi o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que colocou Flávio à frente de Lula e gerou forte redução da aversão ao risco doméstico.

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Eleição reescreve o mapa de risco do mercado brasileiro

A vitória parcial de Flávio no 1º turno foi interpretada pelo mercado como um cenário de menor risco fiscal e maior previsibilidade na condução da política econômica. Os juros futuros despencaram ao longo do dia, o índice de volatilidade da B3, o chamado ‘índice do medo’, colapsou mais de 27%, e o fluxo de capital se deslocou com força para ativos domésticos. O movimento reflete uma reprecificação abrupta do prêmio de risco Brasil embutido nas cotações.

Ativo Variação Valor
Dólar ▼ 4,36% 4,995
Ibovespa ▲ 7,70% 206.912
Dow Jones ▲ 0,18% 51.268
S&P 500 ▲ 0,66% 7.774
Nasdaq ▲ 1,05% 27.477
Stoxx 600 ▲ 0,43% 633,62
FTSE 100 ▲ 0,34% 10.498
Petróleo Brent ▼ 1,02% 100,32
Bitcoin ▼ 0,83% 85.794
T-Note 10 anos (yield) ▲ 0,64% 5,311

Às 18h30 (Horário de Brasília)05/10/2026

Bancos e B3 disparam dois dígitos; nem todos subiram

As maiores altas ficaram concentradas no setor financeiro e em papéis ligados ao mercado de capitais. Banco do Brasil avançou cerca de 11%, Bradesco subiu 13,6%, e as ações de B3 e XP dispararam mais de 20%, segundo o Valor Econômico. Itaú ultrapassou R$ 50 pela primeira vez. As opções de Itaú, BB e Petrobras chegaram a registrar saltos de até 364%. Por outro lado, sete ações do Ibovespa encerraram no negativo, entre elas Suzano, Embraer e WEG, empresas mais ligadas ao mercado externo e menos beneficiadas pela narrativa eleitoral doméstica.

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Wall Street sobe com Nasdaq em novo recorde

O cenário externo colaborou, ainda que de forma secundária. As bolsas americanas fecharam no positivo, com o Nasdaq atingindo novo recorde histórico, impulsionado por resultados financeiros corporativos acima do esperado. O S&P 500 e o Dow Jones também avançaram, em ritmo mais moderado. O ambiente externo benigno reduziu vetores de pressão sobre o câmbio e ajudou a sustentar o apetite por risco globalmente.

Petróleo recua; yield do Treasuries sobe e segue no radar

No campo das commodities, o petróleo Brent operou em queda de cerca de 1%, aliviando pressão inflacionária sobre importadores. Já o yield do T-Note de 10 anos voltou a subir, flertando com 5,3% ao ano, nível que historicamente aumenta o custo de capital global e pode pressionar mercados emergentes. O movimento dos juros americanos é um fator que o mercado continuará monitorando nos próximos pregões.

O pregão desta segunda-feira ficará marcado como um ponto de inflexão no calendário de mercado de 2026. A sessão desta terça-feira deve trazer a digestão dos movimentos de hoje, com atenção ao comportamento dos juros futuros, ao fluxo cambial e ao noticiário pós-eleitoral. O Radar da manhã trará a agenda completa e os fatores a observar no próximo pregão.