Preocupações com a agenda econômica do próximo governo pesaram sobre ativos brasileiros; juros futuros também avançaram no pregão.

O mercado brasileiro teve um dos pregões mais pesados do período recente. O Ibovespa fechou com queda superior a 1,5%, enquanto o dólar avançou cerca de 1% e atingiu o patamar mais elevado do ano. O principal vetor da pressão foi doméstico: a crescente incerteza sobre os rumos da política econômica no governo Lula 4 contaminou desde as ações de maior risco até o câmbio e os juros futuros.

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Petrobras lidera perdas e amplifica queda do índice

As ações da Petrobras figuraram entre as maiores pressões negativas sobre o Ibovespa, recuando mais de 3% no dia. O movimento reflete uma combinação de fatores: a queda do petróleo Brent, que opera próximo à mínima de quatro semanas diante de negociações em torno dos conflitos na Ucrânia e no Irã, e a aversão ao risco em ativos domésticos associados ao governo federal. Papéis exportadores e de perfil mais defensivo resistiram melhor ao tombo, enquanto ações de maior risco e sensibilidade política lideraram as perdas.

Ativo Variação Valor
Dólar ▲ 1,00% 5,491
Ibovespa ▼ 1,57% 165.529
Dow Jones ▼ 0,39% 51.787
S&P 500 ▲ 0,35% 7.569
Nasdaq ▲ 0,80% 25.372
Stoxx 600 ▼ 0,62% 645,66
FTSE 100 ▼ 1,19% 10.638
Petróleo Brent ▼ 0,83% 104,43
Bitcoin ▲ 1,46% 77.797
T-Note 10 anos (yield) ▲ 1,19% 4,952

Às 18h30 (Horário de Brasília)03/11/2026

Juros futuros e câmbio refletem cenário fiscal incerto

As taxas dos contratos de DI futuro subiram ao longo de toda a curva, sinalizando que o mercado de renda fixa também precificou maior incerteza sobre a trajetória fiscal e econômica do próximo mandato. O dólar acompanhou esse movimento e fechou no nível mais alto do ano frente ao real, segundo apuração do Valor Econômico. O resultado é um mercado que, na prática, passou o dia aumentando o prêmio de risco exigido para ativos brasileiros.

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Itaú reporta lucro de R$ 12,6 bi, mas contexto abafa o dado

Em meio ao estresse generalizado, o Itaú Unibanco divulgou lucro líquido de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre, resultado em linha com as projeções do mercado. O dado positivo, contudo, não foi suficiente para segurar o setor financeiro diante do ambiente de aversão a risco e da alta dos juros futuros, condição que, em outros cenários, tenderia a beneficiar bancos, mas que desta vez ficou eclipsada pelo ruído político-econômico.

EUA divididos: Nasdaq sobe, Dow cai com peso da Apple

O cenário externo ofereceu sinal misto ao longo do dia. Nasdaq e S&P 500 fecharam em alta, sustentados pelo desempenho do setor de tecnologia, enquanto o Dow Jones recuou pressionado pela queda da Apple. Na Europa, o Stoxx 600 e o FTSE 100 também fecharam no vermelho. O yield do título do Tesouro americano de dez anos voltou a subir, mantendo-se próximo ao patamar de 4,95%, nível que segue impondo pressão global sobre ativos de risco e emergentes como o Brasil.

O pregão encerrou com o mercado doméstico claramente na defensiva, com pressão vinda de múltiplas frentes, fiscal, cambial e externa. Para o próximo pregão, o mercado deve continuar monitorando o desenrolar do cenário político doméstico e qualquer sinalização mais concreta sobre a equipe econômica e a âncora fiscal do novo governo, além do comportamento dos yields americanos, que seguem como variável-chave para o apetite global por ativos de países emergentes.