Índice acumula baixa de 18,12% na semana – a maior desde 2020 e a 5ª maior desde o Plano Real -, enquanto o dólar avança mais de 9% no período.

O Ibovespa fechou a sessão desta sexta-feira em queda, consolidando uma semana que entrou para os registros históricos: a maior perda semanal do índice desde 2020 e a quinta maior desde o Plano Real. O dólar, por sua vez, encerrou no patamar mais alto de 2026, com alta superior a 9% na semana, pressionado tanto pelo ambiente externo quanto pelo ruído político doméstico no pós-reeleição de Lula. Wall Street também cedeu com força, ampliando a aversão a risco global.

Publicidade

Semana histórica: Ibovespa acumula queda de 18%

O desempenho semanal do Ibovespa foi um dos piores de sua história moderna. Segundo o Valor Econômico, o índice acumulou recuo de 18% na semana, movimento diretamente associado ao cenário pós-reeleição de Lula e à deterioração das expectativas fiscais. No mês, a baixa já supera 9%, a maior desde 2022. O movimento se refletiu de forma ampla na carteira do índice: 26 ações recuaram mais de 20% em outubro, enquanto apenas 11 papéis conseguiram fechar o mês no campo positivo.

Ativo Variação Valor
Dólar ▲ 1,02% 5,440
Ibovespa ▼ 0,96% 167.922
Dow Jones ▼ 1,09% 51.770
S&P 500 ▼ 1,83% 7.580
Nasdaq ▼ 2,87% 25.437
Stoxx 600 ▼ 0,41% 646,75
FTSE 100 ▲ 0,04% 10.730
Petróleo Brent ▲ 0,23% 112,33
Bitcoin ▼ 1,42% 76.685
T-Note 10 anos (yield) ▼ 1,20% 4,929

Às 18h30 (Horário de Brasília)30/10/2026

Dólar dispara e marca maior nível do ano

A divisa americana encerrou o dia acima de R$ 5,44 – o maior patamar registrado em 2026 -, com alta acumulada de mais de 9% apenas nesta semana. O movimento reflete a combinação de aversão a risco global, incerteza sobre o quadro fiscal brasileiro e fluxo de saída de capital estrangeiro intensificado após o resultado eleitoral. A pressão cambial tende a retroalimentar expectativas de inflação e complica o horizonte para a política monetária.

Publicidade

Wall Street derrete com vendas em tecnologia

Os principais índices americanos encerraram o dia com perdas relevantes, lideradas pelo setor de tecnologia. O Nasdaq registrou o recuo mais acentuado entre as bolsas norte-americanas no pregão, enquanto S&P 500 e Dow Jones também fecharam no vermelho. O movimento de venda em ativos de risco nos Estados Unidos ampliou o ambiente adverso que já pressionava o mercado brasileiro, sem que houvesse um catalisador único e isolado – o quadro reflete ajuste generalizado de posições.

Petróleo sustenta alta; Bitcoin e yields recuam

O petróleo Brent operou com leve alta no dia, sustentado por fatores de oferta, e ficou acima de US$ 112 por barril – nível que mantém pressão sobre custos globais. O Bitcoin recuou cerca de 1,4%, acompanhando o apetite reduzido por risco. Já o yield do Treasury de 10 anos apresentou queda na sessão, movimento que normalmente sinaliza busca por proteção em ativos considerados mais seguros – reflexo do mesmo ambiente de aversão a risco que derrubou as bolsas.

Com uma semana de magnitude histórica chegando ao fim, o mercado brasileiro entra no próximo pregão ainda sob pressão do cenário político-fiscal doméstico e da volatilidade externa. A evolução do dólar, o comportamento dos juros futuros e qualquer sinalização do governo sobre âncoras fiscais devem continuar no centro das atenções dos operadores.