O JPMorgan apresentou um mapeamento de cenários para o câmbio brasileiro na proximidade da eleição presidencial, projetando que o dólar pode oscilar em um intervalo que vai de R$ 4,90 até cerca de R$ 5,50, a depender de como o mercado interpretar o resultado do pleito e, sobretudo, as perspectivas de consolidação das contas públicas do país.

Apesar da disputa acirrada entre os principais candidatos, o real demonstrou resistência ao ruído político ao longo deste ciclo eleitoral que não foi observada em proporção equivalente em disputas anteriores. Segundo o banco, o principal fator por trás dessa estabilidade foi a demanda por carry, estratégia favorecida pelo patamar elevado dos juros domésticos, que manteve fluxos direcionados à moeda brasileira mesmo diante de incertezas políticas.

Essa mesma resiliência, contudo, carrega um elemento de atenção. Pelas métricas de valuation do banco, o real opera próximo de sua estimativa de valor justo de curto prazo, o que indica que a taxa de câmbio não embutiu um prêmio expressivo para refletir a incerteza associada ao período eleitoral. Em outras palavras, o mercado não precificou de forma relevante o risco de um resultado adverso ou de uma mudança nas expectativas sobre a trajetória fiscal.

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O posicionamento dos investidores reforça esse diagnóstico. As posições compradas em real estão acima dos níveis registrados antes de eleições anteriores, configurando uma combinação que, segundo a análise do JPMorgan, torna a moeda mais suscetível a movimentos abruptos. Caso uma surpresa política coincida com deterioração do ambiente internacional para ativos de risco, a margem de ajuste pode ser relevante.

O cenário externo representa, portanto, uma variável adicional no cálculo dos agentes de mercado. A conjunção de posicionamento técnico esticado, ausência de prêmio eleitoral e possível volatilidade global coloca o real em posição de maior sensibilidade do que os números de câmbio do período recente poderiam sugerir à primeira vista.

Editorial BolsaNews

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