O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou nesta sexta-feira a criação de um comitê voltado à investigação de Lisa Cook, integrante do conselho de diretores do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A medida foi anunciada por meio de um comunicado oficial da Casa Branca e representa uma nova ofensiva do governo contra a composição da autoridade monetária do país.

Conforme o memorando presidencial, datado de 7 de outubro, o comitê tem a atribuição de examinar acusações feitas contra Cook e apresentar ao presidente uma avaliação sobre a existência de “justa causa” para sua destituição do cargo. O documento determina ainda a realização de uma audiência presencial nas dependências da Casa Branca, com duração máxima estipulada em quatro horas, para que provas e alegações sejam analisadas formalmente.

A iniciativa não é inédita no contexto do atual governo. Segundo o Estadão Economia, Trump já havia tentado afastar Cook anteriormente em 2025, ocasião em que a acusou de envolvimento em fraudes hipotecárias. A diretora negou as alegações e permaneceu no cargo. A criação do comitê configura, portanto, uma retomada e um aprofundamento institucional dessa disputa.

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O episódio amplifica as tensões entre o Executivo americano e o Fed, instituição cuja independência em relação ao governo é considerada um pilar da credibilidade da política monetária dos Estados Unidos. A possibilidade de interferência política na composição do banco central é monitorada de perto por agentes de mercado, uma vez que mudanças na diretoria da instituição podem influenciar as expectativas sobre o rumo das taxas de juros americanas.

Para investidores brasileiros, o desenvolvimento aumenta a atenção sobre o dólar e ativos domésticos sensíveis ao cenário externo, como o Ibovespa, dado o papel do Fed na determinação do apetite global por risco. A evolução do processo investigativo e eventual desdobramento jurídico ou político devem pautar a agenda dos mercados nas próximas sessões.

Editorial BolsaNews

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