A Vale formalizou nesta terça-feira (22) a entrada em uma nova estrutura de parceria no setor de mineração de ferro, confirmando a aquisição de 30% do capital da Ligga S.A. mediante aporte de aproximadamente US$ 190 milhões, equivalentes a cerca de R$ 974 milhões na data da operação. A divulgação ocorreu em resposta a um pedido de esclarecimento da B3, após a companhia ter avaliado que a transação não atingia o limiar de fato relevante exigido pela regulação.
A Ligga é operadora da mina Ferro Sul, situada nos municípios de Parauapebas e Curionópolis, dentro da reconhecida região mineral de Carajás, no estado do Pará. A mina conta hoje com produção estimada em 2 milhões de toneladas anuais de minério de ferro, mas um projeto de expansão em curso prevê elevar esse patamar para 8 milhões de toneladas por ano, com entrada em operação programada para junho de 2028.
Além da participação acionária, a transação contempla a assinatura de um contrato de longo prazo pelo qual a Vale terá o direito exclusivo de adquirir a totalidade do minério de ferro sinter feed gerado pela Ligga. O sinter feed é uma fração do minério de ferro em forma de pó, com granulometria específica, utilizada essencialmente como matéria-prima no processo de fabricação de aço.
Segundo a Folha Mercado, o acordo visa ampliar o acesso da Vale a volumes adicionais de minério de qualidade dentro do chamado Sistema Norte, segmento logístico e produtivo da companhia que abrange as operações na região de Carajás. A estratégia é descrita como uma forma de reforçar a flexibilidade do portfólio com menor intensidade de capital, aproveitando a infraestrutura logística já existente na área.
A conclusão da operação ainda está condicionada às aprovações corporativas e regulatórias pertinentes, sem que a companhia tenha indicado prazo específico para o encerramento do processo. O movimento reforça uma tendência observada em grandes mineradoras de buscar acesso a ativos produtivos por meio de participações minoritárias e contratos de fornecimento, reduzindo a necessidade de desenvolver novos projetos greenfield do zero.
Editorial BolsaNews





