Escalada do conflito no Oriente Médio levou o petróleo Brent acima dos US$ 100 pela primeira vez em semanas, pressionando bolsas globais e o câmbio brasileiro.

O Ibovespa fechou em queda expressiva nesta quarta-feira, registrando o pior desempenho em cerca de um mês, após ter tocado máximas desde maio durante a sessão. O dólar voltou a avançar e rompeu a marca de R$ 5,10, pressionado por uma combinação de fatores externos, com destaque para a escalada do conflito no Oriente Médio, e ruídos institucionais domésticos envolvendo o STF.

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Oriente Médio derruba bolsas e empurra petróleo acima dos US$ 100

O principal vetor externo do dia foi a intensificação dos ataques no Oriente Médio, que provocou uma corrida a ativos de proteção e derrubou as bolsas norte-americanas e europeias. O petróleo Brent reagiu com alta superior a 2%, superando a barreira dos US$ 100 por barril, nível que não era visto há semanas. O movimento elevou a percepção de risco global e contaminou os mercados emergentes, incluindo o brasileiro.

Ativo Variação Valor
Dólar ▲ 0,34% 5,104
Ibovespa ▼ 0,93% 185.629
Dow Jones ▼ 0,77% 52.381
S&P 500 ▼ 0,48% 7.636
Nasdaq ▼ 0,64% 26.253
Stoxx 600 ▼ 1,40% 640,41
FTSE 100 ▼ 1,31% 10.670
Petróleo Brent ▲ 2,35% 101,63
Bitcoin ▼ 0,24% 78.258
T-Note 10 anos (yield) ▲ 0,65% 4,837

Às 18h30 (Horário de Brasília)09/09/2026

Crise no STF adiciona ruído ao ambiente doméstico

No front doméstico, a sessão foi marcada por turbulência institucional. O ministro Fachin convocou plenário para decidir o destino da apuração sobre o ministro Alexandre de Moraes e suspendeu decisões de outros integrantes da Corte sobre o comando da PF, movimentos que ampliaram a incerteza jurídica e política no país. A instabilidade no STF funcionou como fator adicional de aversão a risco para o mercado local, contribuindo para a pressão sobre o Ibovespa e o câmbio.

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Juros americanos em alta reforçam pressão sobre emergentes

Os yields dos Treasuries também pesaram sobre o humor global. O rendimento da T-Note de dez anos avançou na sessão, mantendo-se em patamar elevado e reduzindo o apetite por ativos de maior risco ao redor do mundo. O ambiente de juros altos nos Estados Unidos tende a favorecer o fluxo de capital para renda fixa americana, em detrimento de mercados emergentes como o Brasil.

Bitcoin e bolsas europeias também recuam no dia

O clima de aversão a risco se refletiu de forma ampla nos mercados globais. As principais bolsas europeias encerraram com perdas relevantes: o Stoxx 600 recuou mais de 1% e o FTSE 100 britânico acompanhou o movimento negativo. O bitcoin operou levemente no campo negativo, sem apresentar o comportamento de proteção que alguns investidores passaram a atribuir ao ativo em momentos de tensão geopolítica.

Com o ambiente externo ainda volátil, o conflito no Oriente Médio sem sinal de desescalada e o petróleo sustentado acima de US$ 100, e o front doméstico marcado pela crise institucional no STF, o mercado brasileiro deve seguir sob atenção no próximo pregão. O comportamento do câmbio e dos yields americanos permanece como termômetro central para o humor dos investidores.