O banco central da Holanda (DNB) transferiu recentemente cerca de 86 toneladas de ouro que mantinha custodiadas em Nova York para o Banco da Inglaterra, em Londres. A instituição justificou a decisão pela necessidade de distribuir suas reservas entre diferentes jurisdições, o que, segundo o próprio DNB, elevaria a chamada “preparação para crises” diante de um cenário de crescente instabilidade geopolítica global.

A movimentação holandesa não é um caso isolado. A França concluiu a repatriação de toda a sua reserva remanescente de ouro depositada no Federal Reserve de Nova York em um processo conduzido entre julho de 2025 e janeiro de 2026. O presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, afirmou à época que a decisão não teve motivação política, embora o calendário coincida com o período de maior tensão nas relações transatlânticas.

Segundo a G1 Economia, o padrão que emerge dessas decisões reflete uma desconfiança crescente de alguns governos europeus em relação ao armazenamento de ativos estratégicos nos Estados Unidos e à capacidade de acessá-los com rapidez em situações emergenciais. A percepção de risco associada à gestão do governo americano sob Donald Trump tem sido apontada como pano de fundo para a aceleração dessas transferências.

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O contexto reforça uma tendência que vinha ganhando corpo em diferentes países ao longo dos últimos anos: a preferência por manter reservas físicas de ouro em território próprio ou em praças financeiras europeias consideradas mais previsíveis do ponto de vista institucional. Fort Knox, o complexo no Kentucky que abriga cerca de metade das reservas americanas e que historicamente era citado como símbolo máximo de segurança e inviolabilidade, não tem sido suficiente para conter esse movimento de saída.

No mercado internacional, o ouro opera em patamar elevado, sustentado justamente pela combinação de incertezas geopolíticas e pelo questionamento, em alguns círculos, sobre o papel do dólar como reserva de valor predominante. Analistas monitoram se outros bancos centrais europeus poderão adotar postura semelhante à da Holanda e da França nas próximas semanas, o que potencialmente ampliaria a pressão sobre a lógica de custódia centralizada de reservas nos Estados Unidos.

Editorial BolsaNews

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