A Polícia Federal concluiu, em relatórios encaminhados ao Supremo Tribunal Federal, que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro arcou com custos de viagens internacionais de dois ex-funcionários do Banco Central investigados por supostamente terem atuado em benefício do Banco Master. A revelação integra um conjunto de documentos cujo sigilo foi parcialmente suspenso nesta quinta-feira, 10, por determinação do ministro André Mendonça, seguindo orientação do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Segundo a investigação, Vorcaro teria financiado parte de uma viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana e de sua esposa a Paris. A PF aponta que o ex-banqueiro tratou diretamente com fornecedores no exterior para organizar reservas em restaurantes, serviços de recepção e logística, chegando a repassar dados de contato pessoal do servidor a prestadores locais. Um segundo servidor, o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza, teria tido despesas custeadas em viagem à Disney, nos Estados Unidos.
O levantamento do sigilo, conforme informou a Folha Mercado, ocorreu como parte da preparação para a sessão plenária prevista para a próxima terça-feira, 15, quando o STF deve examinar o relatório da PF que aponta o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro, além do pedido de anulação do documento apresentado pela Procuradoria-Geral da República.
O caso envolve suspeitas de que os dois ex-servidores do Banco Central teriam favorecido o Banco Master em processos regulatórios conduzidos pela autoridade monetária. A investigação reforça o quadro de alegações de vínculo entre o ex-banqueiro e agentes públicos com capacidade de influenciar decisões supervisoras relevantes para a instituição financeira.
A sessão de terça-feira no plenário do STF deve definir os próximos passos processuais do inquérito, incluindo a validade das peças investigativas contestadas pela PGR. O desdobramento judicial representa um ponto de atenção para o ambiente regulatório do setor bancário brasileiro, dado o envolvimento direto de instâncias supervisoras do sistema financeiro nacional.
Editorial BolsaNews





