O Federal Reserve chega à sua reunião de setembro com pouca margem de manobra. A combinação de um discurso mais duro de seu presidente, Kevin Warsh, em Jackson Hole, uma inflação de agosto acima do esperado e o petróleo operando acima de US$ 100 o barril, pressionado pela escalada do conflito no Oriente Médio, estreitou as apostas do mercado em torno de uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos.

A probabilidade atribuída ao movimento pelo mercado futuro saiu de cerca de 60% para perto de 90% nos últimos dias, segundo dados acompanhados por economistas. Caso a alta se confirme, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) elevaria a taxa de referência para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, o que representaria o primeiro ajuste desde que Warsh assumiu o comando do banco central americano, em maio.

Para analistas, o cenário que se formou antes da reunião deixou o Fed em posição delicada. Após o tom mais hawkish adotado em Jackson Hole, uma eventual manutenção dos juros poderia ser interpretada pelo mercado como inconsistência entre o discurso e a ação do banco central, gerando ruído sobre sua disposição de combater a inflação de forma efetiva.

Publicidade

Nesse contexto, a comunicação que acompanhará a decisão ganha relevância comparável à própria magnitude do ajuste. O mercado avaliará se o Fomc sinalizará novas altas à frente ou se adotará linguagem mais cautelosa, a depender da trajetória dos dados econômicos. Segundo o BTG Pactual, o discurso de Warsh em Jackson Hole reduziu o limiar para uma elevação em setembro e deixou pouco espaço para que o comitê opte pela manutenção.

Para o mercado brasileiro, a decisão do Fed representa um vetor de volatilidade relevante. Juros americanos mais altos tendem a fortalecer o dólar globalmente, pressionar moedas de economias emergentes e reduzir o apetite por ativos de maior risco. O comportamento do câmbio e dos títulos públicos domésticos será observado nas próximas sessões à medida que os investidores digerem não apenas a decisão, mas também o tom das declarações de Warsh na coletiva pós-reunião.

Editorial BolsaNews

Publicidade