O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), utilizado como referência antecipada do Produto Interno Bruto, registrou queda de 0,22% em julho em relação a junho, na série com ajuste sazonal. O dado, divulgado pela autoridade monetária nesta quarta-feira, ficou abaixo do consenso de mercado, que projetava recuo de 0,10%, e dentro de um intervalo de estimativas que variava de retração de 0,40% a avanço de igual magnitude.
O resultado de junho também foi revisado, passando de queda de 0,64% para recuo de 0,88%, o que amplia a percepção de que o terceiro trimestre começou com ritmo de atividade mais moderado. A combinação dos dois meses coloca o PIB trimestral em trajetória próxima à estabilidade, na leitura de analistas que acompanham os indicadores de conjuntura.
Segundo o Estadão Economia, o economista Leonardo Costa, do ASA, avalia que os dados disponíveis até agora já sinalizavam essa direção e que o número de julho consolida o diagnóstico de desaceleração gradual da atividade doméstica. Em sua avaliação, a projeção do banco para o crescimento no terceiro trimestre, comparado ao segundo com ajuste sazonal, é de alta de 0,2%, cenário compatível com o quadro apresentado pelo IBC-Br.
Entre os componentes que explicam o desempenho mais fraco, o analista destaca a perda de fôlego da indústria, a acomodação do setor de serviços e a moderação da agropecuária. Esse conjunto configura um ambiente menos dinâmico para a economia brasileira no período, sem que haja, por ora, sinais de deterioração abrupta.
O IBC-Br é monitorado de perto pelo mercado financeiro porque antecipa a tendência do PIB oficial, divulgado pelo IBGE com maior defasagem. O desempenho abaixo do esperado em julho tende a alimentar o debate sobre o ritmo de crescimento da economia ao longo de 2025, em um contexto de política monetária ainda restritiva e incertezas fiscais que persistem no horizonte dos investidores.
Editorial BolsaNews





