O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta sexta-feira sua taxa de depósito a 1,25% ao ano, o nível mais alto registrado pela instituição em 31 anos. A decisão, no entanto, veio acompanhada de uma comunicação que frustrou parcialmente as expectativas de investidores que aguardavam sinais mais claros sobre o ritmo do ciclo de aperto monetário no país.

Durante entrevista coletiva realizada após a reunião, o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, afirmou que a política monetária japonesa “entrou em uma nova fase” e reiterou que o banco central continuará ajustando os juros com base na evolução da economia, dos preços e das condições do sistema financeiro. Ainda assim, o dirigente recusou indicar uma aceleração no ritmo de aumentos, gerando leitura ambígua no mercado.

O resultado da votação, encerrado com duas dissidências, surpreendeu participantes do mercado e reforçou a percepção de que o conselho está longe de um consenso sobre os próximos passos. O efeito imediato foi a retirada de apostas em novas altas na ponta curta da curva de juros, o que penalizou o iene. No mercado de renda fixa, a taxa do título soberano japonês de dois anos recuou de 1,867% para 1,853%, enquanto o papel de 30 anos praticamente não se moveu, passando de 4,081% para 4,077%.

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Segundo o Valor Econômico, Ueda sinalizou ainda a preocupação do BoJ em evitar um cenário semelhante ao enfrentado pelo Federal Reserve e pelos bancos centrais europeus durante a onda inflacionária de 2022 e 2023, período em que as autoridades monetárias precisaram elevar juros de forma intensa após ficarem aquém da curva inflacionária.

A comunicação de Ueda, ao mesmo tempo em que confirma uma mudança estrutural na orientação da política monetária japonesa, deixou em aberto o debate sobre a velocidade com que o BoJ pretende normalizar suas condições financeiras após décadas de juros ultrabaixos e política de afrouxamento quantitativo. O mercado monitora de perto os próximos dados de inflação e atividade econômica no Japão para calibrar as expectativas sobre futuras reuniões da instituição.

Editorial BolsaNews

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