Incerteza com negociações EUA-Irã, cautela eleitoral doméstica e aversão ao risco global pressionaram os ativos brasileiros ao longo do dia.
O Ibovespa fechou em queda pelo quarto pregão consecutivo, pressionado por um ambiente externo adverso e por incertezas no cenário político doméstico. O dólar subiu e registrou seu maior nível de fechamento em seis meses, refletindo a aversão ao risco que tomou conta dos mercados ao longo do dia. Wall Street também cedeu, com as principais bolsas americanas operando no campo negativo.
Exterior pesa: Irã, IA e yields elevados no radar
O humor negativo em Wall Street foi o principal vetor externo do dia. A falta de perspectiva concreta para as negociações entre EUA e Irã manteve o mercado em modo de cautela, enquanto discussões sobre regulação e supervisão da inteligência artificial, com reunião prevista na Casa Branca, adicionaram incerteza ao setor de tecnologia. Com isso, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuaram, e o yield do T-Note de 10 anos avançou acima de 5,2% ao ano, nível que historicamente eleva o custo de oportunidade dos ativos de risco ao redor do mundo.
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| Dólar | ▲ 0,76% | 5,224 |
| Ibovespa | ▼ 0,26% | 182.991 |
| Dow Jones | ▼ 0,67% | 51.482 |
| S&P 500 | ▼ 0,77% | 7.684 |
| Nasdaq | ▼ 0,92% | 26.820 |
| Stoxx 600 | ▲ 0,03% | 638,68 |
| FTSE 100 | ▼ 0,10% | 10.685 |
| Petróleo Brent | ▼ 0,41% | 98,56 |
| Bitcoin | ▼ 1,23% | 83.424 |
| T-Note 10 anos (yield) | ▲ 1,08% | 5,240 |
Às 18h30 (Horário de Brasília)28/09/2026
Dólar sobe ao maior fechamento em seis meses
O dólar encerrou o dia em alta, acima de R$ 5,22, atingindo o patamar mais elevado de fechamento nos últimos seis meses. O movimento combina pressão externa, com o dólar índice fortalecido globalmente pelo ambiente de juros altos nos EUA, e incerteza doméstica relacionada ao cenário eleitoral. A combinação dos dois fatores limitou o apetite por ativos brasileiros e favoreceu a busca por proteção cambial.
Nubank despenca 10% em Nova York após notícia de aquisição
As ações do Nubank registraram queda expressiva de cerca de 10% na Bolsa de Nova York, após a circulação de notícias sobre uma possível compra de banco britânico pela fintech. O movimento pesou sobre o humor do setor financeiro no pregão doméstico e contribuiu para segurar o Ibovespa, que chegou a amenizar perdas ao longo do dia com o desempenho da Petrobras, favorecida pela perspectiva de exportações de petróleo caminhando para recorde em setembro, segundo dados da Secex.
Bitcoin e Brent recuam com cautela geopolítica
O Bitcoin também operou em baixa, acima de US$ 83 mil, mas com perda de mais de 1% no dia, refletindo a cautela geopolítica e as perspectivas mais duras para bancos centrais. O petróleo Brent cedeu levemente, mas se manteve próximo a US$ 98 por barril, patamar historicamente elevado que, por um lado, beneficia exportadores como o Brasil, mas, por outro, alimenta preocupações inflacionárias globais.
O mercado encerra a quarta-feira com clima de maior cautela, após uma sequência de quatro pregões negativos para o Ibovespa e uma nova rodada de pressão cambial. Para as próximas sessões, o comportamento do dólar e dos yields americanos deve continuar como termômetro central do humor dos investidores, ao lado do monitoramento do cenário eleitoral doméstico e de eventuais desdobramentos nas tensões geopolíticas no Oriente Médio.





