O pãozinho que custava R$ 0,15 no início dos anos 2000 e hoje é vendido por cerca de R$ 1,00 carrega em seu preço uma história pouco visível ao consumidor: quase toda a alta acumulada nas últimas duas décadas tem origem no encarecimento da energia. De acordo com estudo realizado pela Ex Ante Consultoria Econômica a pedido da Abrace, entidade representativa de grandes consumidores industriais de energia, aproximadamente R$ 0,73 dos R$ 0,85 de variação no preço do produto desde 2000 são explicados pelo custo energético embutido na cadeia de produção, o equivalente a 86% do aumento total.
A pesquisa, intitulada “O Impacto da Evolução do Custo da Energia no Preço das Mercadorias e na Inflação Brasileiras de 2000 a 2026”, detalha que a energia corresponde a quase 30% do custo final do pãozinho. Desse total, 18,7 pontos percentuais são atribuídos ao consumo de eletricidade e gás utilizados nos fornos das padarias, enquanto os 11 pontos percentuais restantes derivam dos combustíveis empregados no transporte de insumos por vans, caminhões e embarcações ao longo da cadeia logística.
O estudo parte do princípio de que o custo energético está presente em todos os bens e serviços da economia, uma vez que a produção, o processamento e a distribuição de qualquer produto demandam alguma forma de energia. O diferencial apontado pelos pesquisadores é a magnitude do encarecimento verificado no Brasil ao longo do período analisado, que torna o componente energético um vetor relevante para a dinâmica do IPCA e para a competitividade do parque industrial e comercial do país.
O fenômeno não se restringe ao segmento alimentício. Segundo a Folha Mercado, o mesmo mecanismo de transmissão de custos energéticos opera em diferentes setores da economia, de obras de infraestrutura a serviços cotidianos, amplificando os efeitos sobre os preços ao consumidor e sobre as margens das empresas. A amplitude do impacto reforça a percepção de analistas e formuladores de política econômica de que a agenda tarifária e regulatória do setor elétrico tem consequências que vão muito além das contas de luz residenciais.
Para investidores, o estudo oferece um enquadramento adicional sobre as pressões estruturais que dificultam a convergência da inflação para a meta e que podem condicionar a trajetória da política monetária. A persistência do componente energético nos índices de preços é um dos fatores monitorados pelo Banco Central ao avaliar o comportamento dos núcleos de inflação e as expectativas de médio prazo. O debate em torno do custo da energia no Brasil envolve variáveis como a composição da matriz elétrica, os encargos setoriais, a política de preços de combustíveis e a eficiência da infraestrutura logística.
Editorial BolsaNews





