O fluxo de capital estrangeiro na bolsa brasileira voltou a pressionar o mercado em agosto. Nos primeiros sete pregões do mês, encerrados no dia 11, investidores não residentes retiraram R$ 11,93 bilhões da B3, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria com base em dados da própria bolsa, excluindo aportes em ofertas públicas iniciais e emissões subsequentes.
O volume acumulado já posiciona agosto como o segundo mês com maior saída de recursos estrangeiros em 2026, ficando atrás apenas de maio, quando as retiradas somaram R$ 14,91 bilhões. O dado, porém, ganha peso adicional quando se considera que o mês está incompleto: em apenas sete pregões, agosto já concentra o equivalente a cerca de 80% de tudo o que foi retirado ao longo dos vinte e um dias úteis de maio, conforme análise da Elos Ayta Consultoria.
O dia 11 de agosto concentrou a maior pressão pontual do período. Nessa sessão, marcada por queda de 2,5% no Ibovespa, os investidores estrangeiros sacaram R$ 4,7 bilhões em ações, o maior volume diário de retiradas desde 22 de abril de 2021, quando o montante havia chegado a R$ 6,6 bilhões.
O movimento representa uma reversão abrupta em relação ao comportamento observado no mês anterior. Em julho, o saldo de capital estrangeiro na B3 havia sido positivo, com entrada líquida de R$ 2,56 bilhões, resultado que alimentou expectativas de retomada do interesse externo pelo mercado acionário local. O contraste com o ritmo atual de agosto reacende a atenção dos analistas sobre a sustentabilidade do fluxo externo nos próximos pregões.
O cenário também destoa do início do ano, quando os primeiros meses registraram entradas de recursos. A aceleração das saídas em agosto, concentrada em poucos pregões, é o elemento que mais chama atenção dos analistas que monitoram o comportamento do investidor estrangeiro na renda variável brasileira. Ainda que seja prematuro projetar o resultado final para o fechamento do mês, o ritmo observado até agora coloca agosto sob vigilância como um dos períodos de maior desinvestimento externo em 2026.
Editorial BolsaNews





