Bolsa acumula perda superior a 3% na semana, enquanto o dólar registra sua maior sequência de altas do ano, pressionado por fluxo externo negativo e cenário político.

O mercado financeiro brasileiro encerrou mais uma sessão no vermelho, com o Ibovespa registrando queda pela nona vez consecutiva, a maior sequência negativa recente, e acumulando perdas expressivas na semana. O dólar subiu e atingiu o patamar mais elevado desde março, sustentado pela saída contínua de capital estrangeiro. O cenário político doméstico e o apetite global por risco em baixa combinaram para manter a pressão sobre os ativos locais.

Fluxo estrangeiro negativo pressiona bolsa e câmbio

A dinâmica do pregão foi marcada pela saída persistente de investidores estrangeiros, fator que pesou simultaneamente sobre o Ibovespa e sobre o real. Segundo o Valor Econômico, o movimento reflete também uma recomposição de portfólios globais diante da percepção de risco político elevado no Brasil, com a disputa eleitoral ganhando contornos mais definidos após pesquisa Quaest mostrar Lula com 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno. O ambiente levou ao menos um banco internacional a retirar o real da cesta de moedas indicadas para operações de carry trade.

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Ativo Variação Valor
Dólar ▲ 0,66% 5,214
Ibovespa ▼ 0,10% 166.934
Dow Jones ▼ 0,20% 53.732
S&P 500 ▼ 0,17% 7.786
Nasdaq ▼ 0,28% 26.729
Stoxx 600 ▼ 0,17% 657,86
FTSE 100 ▼ 0,21% 10.750
Petróleo Brent ▲ 1,69% 88,59
Bitcoin ▼ 0,95% 62.820
T-Note 10 anos (yield) ▲ 1,19% 4,696

Às 18h30 (Horário de Brasília)14/08/2026

Wall Street recua com inflação e gastos em IA no radar

As bolsas americanas fecharam em leve baixa, com investidores avaliando as perspectivas para a inflação e o ritmo de gastos com inteligência artificial pelas grandes empresas de tecnologia. O movimento negativo em Nova York retirou um suporte externo que poderia amenizar as perdas do mercado brasileiro. Os yields dos Treasuries de 10 anos subiram cerca de 1%, o que reforça a percepção de que o Federal Reserve não tem pressa para afrouxar a política monetária, tornando ativos de risco em mercados emergentes menos atrativos no curto prazo.

Petróleo sobe e destaques individuais movem papéis na bolsa

No campo das commodities, o petróleo Brent avançou quase 1,7%, o que ofereceu algum suporte pontual às ações ligadas ao setor de energia. Entre os destaques do pregão, LWSA3 disparou próximo de 8% após a divulgação de balanço e anúncio de programa de recompra de ações, enquanto YDUQ3 recuou mais de 5% mesmo com resultados dentro do esperado pelo mercado. O movimento reflete a percepção de que a precificação já embutia os números divulgados, sem catalisador positivo adicional. MBRF fechou próximo da estabilidade após oscilar com a divulgação do segundo trimestre.

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Bitcoin recua; Berkshire movimenta portfólio no exterior

O bitcoin operou em queda moderada, abaixo dos US$ 63 mil, sem exercer influência relevante sobre o humor do mercado local. No cenário internacional, chamou atenção o movimento da Berkshire Hathaway, que ampliou posições em Delta Air Lines e Alphabet e começou a alocar o volumoso caixa herdado após a saída de Warren Buffett. A gestora retoma postura mais ativa na alocação de recursos, movimento monitorado de perto por investidores globais.

Com o Ibovespa acumulando uma das piores sequências de perdas do ano e o dólar no nível mais alto em meses, o mercado chega ao fim de semana em estado de atenção elevada. O próximo pregão deve continuar sendo pautado pelo comportamento do fluxo estrangeiro, pela evolução do cenário político doméstico e por eventuais sinalizações sobre política monetária nos Estados Unidos.