A prévia da inflação oficial brasileira registrou deflação de 0,40% em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do IPCA-15 surpreendeu o mercado, que esperava variação entre alta de 0,25% e queda de até 0,30%.

Os grupos de habitação, transportes e alimentação foram os principais responsáveis pelo desempenho do índice, com recuos de 1,41%, 1% e 0,57%, respectivamente. Entre os alimentos, itens como tomate, batata e cenoura apresentaram quedas relevantes de preços no período. Em sentido contrário, despesas pessoais, educação e saúde avançaram no mês, limitando parcialmente o alívio geral nos preços.

Com o resultado de agosto, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% no ano. Na comparação em 12 meses, o índice marca 4,24%, uma desaceleração em relação aos 4,52% registrados no período imediatamente anterior. A leitura mais recente coloca a inflação dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central.

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Segundo a Folha de S.Paulo, o bônus de Itaipu contribuiu para o recuo expressivo no grupo de habitação, ao pressionar para baixo as tarifas de energia elétrica no período. O componente energético exerceu papel central para que o índice alcançasse o nível de deflação observado.

O dado mais benigno que o esperado repercutiu nos mercados de renda fixa, com queda nas taxas negociadas nos títulos públicos de prazos mais curtos. Outros elementos do cenário macroeconômico, como o movimento dos preços do petróleo no mercado internacional e a valorização recente do real frente ao dólar, também são monitorados por participantes do mercado como fatores que podem influenciar a trajetória dos juros futuros. Analistas, no entanto, ponderam que a leitura qualitativa do índice não foi unanimemente positiva, com núcleos de inflação e algumas categorias de serviços ainda apresentando comportamento que merece acompanhamento.

A divulgação do IPCA-15 de agosto antecede a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para setembro, e tende a ser incorporada ao conjunto de informações que orientam as deliberações sobre a taxa Selic. O mercado aguarda os próximos dados de atividade econômica e inflação para calibrar suas expectativas sobre o ritmo da política monetária nos meses seguintes.

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Editorial BolsaNews