A Vale identificou a falta de engenheiros qualificados como um dos principais obstáculos ao avanço de seu portfólio de novos projetos. O CEO Gustavo Pimenta fez o alerta durante apresentação ao Lide, grupo de líderes empresariais, nesta sexta-feira, descrevendo a questão como um desafio crítico não apenas para a companhia, mas para toda a indústria de mineração.
A declaração ocorre em meio a um dos ciclos de investimento mais intensos da história recente da mineradora. No ano passado, a Vale anunciou dois grandes pacotes: R$ 70 bilhões destinados ao Programa Novo Carajás até 2030, voltado à expansão de minas e ao aumento da produção de minério de ferro e cobre, e um volume equivalente alocado aos ativos situados em Minas Gerais, também com prazo até o fim da década.
Segundo Pimenta, a retomada do crescimento e a aceleração do chamado pipeline de projetos expuseram uma carência estrutural do setor. A companhia teria se deparado, de forma mais aguda, tanto com a insuficiência de profissionais de engenharia quanto com a fragilidade das empresas prestadoras de serviços técnicos que poderiam apoiar a execução dos empreendimentos.
Para enfrentar o problema, a Vale passou a firmar parcerias com escolas técnicas e com turmas de cursos de graduação, na tentativa de ampliar a formação de novos quadros alinhados às exigências de projetos de grande escala e elevada complexidade. O executivo classificou a capacitação profissional como o “calcanhar de Aquiles” da indústria atualmente.
O gargalo de mão de obra qualificada representa um fator de atenção para o calendário de execução dos investimentos já anunciados. A capacidade de a companhia cumprir os cronogramas projetados pode depender, em parte, do ritmo com que novas turmas de profissionais forem absorvidas e formadas ao longo dos próximos anos.
Editorial BolsaNews





