O Banco Central do Brasil divulgou nesta quarta-feira (2) a ata do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira), na qual classifica o endividamento das famílias brasileiras como estando em patamar historicamente alto e reitera que medidas de caráter regulatório estão em fase de preparação para o mercado de crédito doméstico.

Segundo o documento, o comprometimento de renda das famílias atingiu o maior nível já registrado na série histórica acompanhada pelo Comitê. O texto atribui esse agravamento à participação relevante de modalidades de crédito consideradas mais onerosas na composição do endividamento total das famílias, o que pressiona de forma contínua as condições financeiras de pessoas físicas e empresas.

A ata indica que os níveis elevados de ativos problemáticos e a probabilidade de default seguem sinalizando que a materialização de risco no crédito, tanto para empresas quanto para famílias, deve permanecer em patamares significativos. O Comitê concluiu que o cenário atual requer cautela e diligência adicionais por parte das instituições financeiras e do próprio regulador.

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Conforme informou o Investing.com Brasil, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, havia antecipado no dia anterior, em evento público, que as novas medidas devem ter como linhas-alvo o cartão de crédito e o crédito não consignado, modalidades que concentram parte expressiva das dívidas mais caras das famílias. A transparência no reconhecimento dos riscos foi apontada como um dos eixos centrais das iniciativas em elaboração.

A ata descreve que as medidas em preparação visam promover o reconhecimento tempestivo dos riscos pelas instituições financeiras, o acúmulo gradual de capital e a criação de condições mais sustentáveis para a oferta de crédito aos tomadores. O Banco Central não divulgou prazo para a implementação das novas regras.

O quadro descrito pelo Comef ocorre em um contexto de taxa Selic em patamar restritivo, o que eleva o custo do crédito e pode ampliar a pressão sobre o serviço da dívida das famílias e das empresas ao longo dos próximos trimestres.

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Editorial BolsaNews