O debate em torno do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho ganha novos contornos a partir de estudo divulgado por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). A análise indica que os efeitos sobre o custo do trabalho não se limitam às empresas que operam nessa escala específica, alcançando também aquelas cujos funcionários já cumprem carga horária inferior a 40 horas semanais em regime 5×2.

Segundo o Valor Econômico, o estudo projeta uma redução de 2,9% no valor adicionado da economia brasileira como consequência das mudanças propostas. O valor adicionado é uma medida próxima ao Produto Interno Bruto (PIB), da qual se excluem impostos e subsídios, tornando-o um indicador relevante para avaliar a produção efetiva de riqueza no país.

A lógica por trás do impacto sobre empresas no regime 5×2 está nas dinâmicas de mercado de trabalho: com a elevação do custo médio da mão de obra, o efeito se propaga pelo tecido produtivo de forma mais ampla do que uma análise restrita às empresas diretamente afetadas pela escala 6×1 poderia sugerir. Setores intensivos em trabalho tendem a absorver proporcionalmente maior pressão sobre suas estruturas de custos.

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O levantamento reacende o debate sobre os efeitos macroeconômicos de mudanças na legislação trabalhista, num momento em que a proposta de alteração da jornada máxima tramita no Congresso. Economistas e associações empresariais têm argumentado que reformas dessa natureza precisam ser acompanhadas de avaliações de impacto rigorosas, especialmente em um ambiente de juros elevados e margens pressionadas.

Para o mercado, a discussão sobre o custo do trabalho é observada com atenção, sobretudo em setores como varejo, serviços e indústria de transformação, que concentram parcela expressiva da força de trabalho formal do país. Qualquer variação relevante nessa variável tende a repercutir sobre projeções de lucro e capacidade de contratação das empresas listadas.

Editorial BolsaNews

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