O Banco do Japão esteve dividido em sua reunião de setembro sobre o ritmo adequado de elevação dos juros, segundo resumo de opiniões divulgado nesta quinta-feira. Uma parcela dos membros do colegiado defendeu aproximar a taxa de referência mais rapidamente de um nível considerado neutro para a economia, enquanto um representante do governo presente à reunião instou a autoridade monetária a adotar postura mais cautelosa antes de novos movimentos.
A divulgação do documento gerou reação imediata nos mercados de câmbio. O iene recuou frente ao dólar à medida que investidores reduziram suas apostas em um aumento consecutivo dos juros já em outubro, interpretando o pedido de cautela governamental como sinal de que o banco central pode aguardar mais dados antes de agir novamente.
Na reunião de setembro, o BC japonês elevou a taxa básica para 1,25% ao ano, o nível mais alto desde 1994. O presidente da instituição sinalizou na ocasião que a política monetária entraria em uma nova fase, com foco em evitar que a inflação supere a meta estabelecida, o que levou analistas a projetar um novo ajuste ainda em outubro ou, alternativamente, em dezembro.
O cenário de aperto adicional recebeu mais um fator de moderação com a publicação de pesquisa trimestral sobre expectativas de inflação. O levantamento mostrou poucos indícios de que a pressão inflacionária esteja se intensificando em ritmo suficiente para justificar uma elevação imediata dos juros, reforçando a visão de que o banco central pode aguardar antes de agir.
Apesar das divergências internas, a maioria das opiniões registradas no resumo apontou para a necessidade de dar continuidade ao ciclo de aperto monetário iniciado em setembro, à medida que as pressões de preços seguem presentes na economia japonesa. O timing do próximo movimento permanece em aberto e deverá depender da evolução dos dados econômicos nas próximas semanas, segundo analistas que acompanham a política monetária japonesa.
Editorial BolsaNews





