O setor de aviação civil reviu de forma significativa suas perspectivas para os próximos anos. Após um período de otimismo em relação a uma eventual normalização dos preços de energia, executivos de companhias aéreas passaram a trabalhar com um horizonte de três a cinco anos de pressão sobre os custos operacionais, reflexo direto da persistência dos preços elevados de combustível na esteira do conflito no Irã.
A expectativa inicial de que o pico nos preços de querosene de aviação seria transitório não se confirmou. Segundo relato da Folha Mercado, lideranças do setor indicam que os custos de energia permanecem em patamares que comprometem as margens operacionais e inviabilizam, em boa parte, a retomada dos planos de expansão de frota que haviam sido desenhados para o período pós-pandemia.
O dilema central enfrentado pelas empresas envolve a capacidade de repasse ao consumidor. Aumentos de tarifas suficientes para cobrir a alta dos custos podem encontrar resistência dos passageiros, especialmente em um ambiente de inflação elevada que já comprime a renda disponível das famílias. O risco, apontado pelos próprios executivos, é que preços mais altos reduzam a demanda por viagens, deteriorando ainda mais o cenário de receitas.
Diante desse quadro, parte das companhias já sinalizou redução nos planos de crescimento e revisão dos pedidos de novas aeronaves. O encolhimento de frotas, antes visto como medida emergencial durante a pandemia, volta a ser cogitado como ferramenta de ajuste estrutural para preservar a saúde financeira das operadoras.
O impacto do cenário externo sobre as empresas aéreas com operações no Brasil é monitorado de perto pelo mercado, dado que o preço do querosene de aviação é cotado em dólar e sofre influência direta das cotações internacionais do petróleo. A combinação de câmbio pressionado e combustível caro representa fator de risco adicional para companhias que operam em mercado doméstico com receitas em reais.
O setor aéreo, que havia ensaiado uma recuperação consistente após os anos mais severos da pandemia, depara-se agora com um ambiente em que os dois principais vetores de risco, custos elevados e demanda incerta, atuam simultaneamente, tornando mais complexa qualquer projeção de retorno à rentabilidade plena no curto prazo.
Editorial BolsaNews





