O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, rejeitou na última sexta-feira as informações de que o governo teria cedido a totalidade das reservas nacionais de bitcoin a um operador privado como condição do acordo de crédito firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em declaração pública, Bukele esclareceu que o objeto da transferência foram as ações da carteira digital Chivo, e não a reserva de aproximadamente US$ 618 milhões mantida pelo Estado.

A questão das reservas em criptomoedas ocupa papel central nas tratativas entre o governo salvadorenho e o FMI desde que o país firmou uma linha de crédito de US$ 1,4 bilhão com a instituição. O acordo estabelece uma série de desembolsos condicionados ao avanço de reformas econômicas e à redução progressiva do papel do bitcoin na economia local.

Em janeiro de 2025, o governo deu um passo significativo nessa direção ao revogar o status de moeda de curso legal do bitcoin, posição que havia sido adotada pioneiramente em 2021 e que gerou atenção internacional. A medida foi interpretada como um recuo do experimento monetário conduzido por Bukele sob pressão dos credores multilaterais.

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Na quinta-feira anterior ao pronunciamento do presidente, o FMI anunciou um entendimento preliminar para liberar cerca de US$ 140 milhões em novos recursos, no âmbito do mesmo programa de austeridade. A decisão teve como pano de fundo a comprovação, por parte de San Salvador, de que as compras contínuas de bitcoin realizadas pelo governo eram financiadas por doações privadas, sem utilização de verbas públicas. Segundo o Estadão Economia, o FMI registrou que a participação pública na carteira Chivo foi reduzida de forma substancial e que seguem em curso esforços para ampliar a transparência sobre as reservas.

O episódio evidencia as tensões persistentes entre a estratégia de adoção de criptoativos promovida por Bukele e as exigências de disciplina fiscal e transparência impostas pelos organismos multilaterais. O mercado de bitcoin acompanha o desdobramento do caso, uma vez que El Salvador permanece como o único país a ter adotado formalmente a criptomoeda como meio de pagamento oficial, experiência que agora é gradualmente desfeita sob o peso das condicionalidades do acordo com o FMI.

Editorial BolsaNews

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