O Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic de 14,00% para 13,75% ao ano na 281ª reunião do Copom, realizada em 16 de setembro de 2026. É o segundo corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, confirmando que o ciclo de queda de juros está estabelecido e que, por ora, o BC prefere consistência a velocidade.

O ritmo gradual escolhido pelo Comitê sinaliza cautela persistente. O mercado acompanha de perto variáveis que ainda não estão totalmente equacionadas: a inflação, especialmente em serviços, segue exigindo atenção; o câmbio permanece volátil; e a trajetória das contas públicas continua sendo monitorada de perto pela autoridade monetária. Enquanto esse quadro não mostrar melhora mais clara, a tendência é de manutenção do passo atual.

Para os mercados, a decisão tende a ser lida como levemente positiva na margem. A curva de juros futuros deve registrar fechamento nos vértices curtos e intermediários, refletindo a continuidade do ciclo. O Ibovespa pode ser impactado de forma positiva no médio prazo, uma vez que juros menores reduzem o custo de capital e melhoram a perspectiva de empresas domésticas, especialmente as mais alavancadas e ligadas ao consumo. Já o real pode sofrer alguma pressão pontual, já que o diferencial de juros entre Brasil e exterior diminui a cada corte.

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Daqui para frente, o debate central no mercado é se o Copom acelerará o ritmo para 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões ou manterá os cortes de 0,25 p.p. A resposta deve vir dos dados: qualquer melhora expressiva e simultânea no quadro fiscal e na convergência da inflação para a meta aumenta as chances de um passo maior. No sentido oposto, deterioração cambial, inflação resistente ou turbulência externa podem levar o BC a segurar o ritmo, ou até pausar o ciclo.