O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira, 15, a última reunião do ciclo pré-eleitoral em meio a um ambiente de acentuada incerteza, tanto no front externo quanto no doméstico. O consenso entre participantes do mercado aponta para uma redução de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, mas o contexto atual recomenda que a autoridade monetária não avance além desse passo.

Entre os vetores que tornam o cenário mais nebuloso está o comportamento do petróleo, que voltou a superar a marca de US$ 100 o barril na semana passada, pressionado pelos desdobramentos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Trata-se de um fator inflacionário de médio prazo sem horizonte definido de resolução, o que dificulta qualquer projeção mais precisa sobre a trajetória dos preços ao consumidor.

No campo climático, a perspectiva de intensificação do El Niño adiciona outra camada de risco ao quadro inflacionário. O fenômeno deve afetar safras agrícolas no Brasil e em outros países, com potencial de elevar os preços de alimentos nos próximos meses, um componente de peso relevante nos índices de inflação domésticos.

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A essas pressões soma-se o ambiente fiscal. A política expansionista conduzida pelo governo alimenta a demanda agregada num momento em que a inflação ainda não convergiu de forma sustentada para a meta, o que estreita ainda mais o espaço de manobra para o Copom. O comitê precisa ponderar impulsos que, em conjunto, apontam para a manutenção da cautela no ritmo de afrouxamento monetário.

A dificuldade de sinalizar caminhos futuros não é exclusividade brasileira. Conforme informou o Estadão Economia, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, foi direta ao explicar a decisão do BCE de elevar sua taxa de referência a 2,5% ao ano: a instituição optou por não debater trajetórias prováveis diante de um grau de incerteza capaz de alterar o quadro de forma abrupta. O diagnóstico ressoa no ambiente global e reforça a postura conservadora que se espera também do Copom neste ciclo.

Com o pleito se aproximando e o cenário internacional em fluxo constante, o Banco Central brasileiro encerra esta rodada de reuniões pressionado a equilibrar a necessidade de continuidade no processo de desinflação com os riscos de uma antecipação prematura no ritmo de cortes. A decisão final será divulgada na quarta-feira, 16.

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Editorial BolsaNews