As contas do setor público consolidado fecharam julho com superávit primário de R$ 1,4 bilhão, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (31). O resultado representa uma melhora expressiva frente ao mesmo mês de 2023, quando as contas registraram saldo negativo de R$ 66,6 bilhões, pressionadas pelo pagamento de precatórios naquele período.
O superávit primário reflete a situação em que as receitas provenientes de tributos e impostos superam as despesas governamentais, excluindo o custo do serviço da dívida pública. O cálculo abrange o governo federal, estados, municípios e empresas estatais. Em julho, o governo federal apresentou saldo positivo de R$ 11 bilhões, enquanto estados, municípios e estatais encerraram o mês no campo negativo.
O alívio pontual nas contas mensais, porém, não foi suficiente para reverter a deterioração do quadro fiscal mais amplo. Segundo o Banco Central, a dívida pública bruta atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto em julho, o nível mais elevado desde abril de 2021. O avanço do endividamento ocorre mesmo em um mês com resultado primário positivo, evidenciando o peso crescente dos encargos financeiros sobre as finanças públicas.
No acumulado dos sete primeiros meses de 2024, o setor público consolidado acumula déficit primário de R$ 78,8 bilhões, cifra equivalente a 1% do PIB. O número reforça o desafio fiscal que o governo central enfrenta para convergir ao arcabouço fiscal vigente, que estabelece metas de resultado primário com bandas de tolerância.
O comportamento da dívida em relação ao PIB é monitorado de perto pelo mercado financeiro, uma vez que trajetórias ascendentes desse indicador tendem a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores nos títulos soberanos brasileiros e podem influenciar as expectativas sobre a política monetária. A Selic, atualmente em patamar restritivo, também compõe o custo de rolagem da dívida, contribuindo para seu crescimento em termos nominais.
Editorial BolsaNews





