A confluência do fenômeno climático El Niño com a deterioração dos estoques de açúcar na Índia cria um cenário de pressão intensa sobre os preços da commodity nos próximos anos. A avaliação é de Jean-Luc Bohbot, ex-diretor de operações de açúcar da Wilmar International, conglomerado de processamento e comercialização de commodities sediado em Cingapura, que passou 15 anos à frente da área antes de deixar a empresa no início de 2024.

Segundo a Reuters, Bohbot vê o açúcar como a commodity potencialmente mais aquecida de 2027, com condições que poderiam configurar um dos mercados mais favoráveis à alta dos últimos 20 anos. O diagnóstico parte de dois vetores simultâneos de restrição de oferta: a produção brasileira, que responde pela maior fatia global, e a indiana, segunda maior do mundo.

No Brasil, o ex-executivo avalia que o último terço da safra em curso deverá ser comprometido pelo excesso de precipitações, reduzindo o potencial de colheita e processamento nas regiões produtoras. Já a Índia enfrenta uma estação de monções considerada mediana e irregular, o que, combinado a estoques em nível muito baixo, aponta para um desequilíbrio interno entre oferta e demanda. A consequência projetada é a necessidade de a Índia importar volumes substanciais para suprir seu mercado doméstico, o que aumentaria a pressão sobre a oferta global disponível.

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O mercado de açúcar já acumula pressão recente: em agosto, os preços registraram alta de cerca de 20%. O movimento, no entanto, não teria aliviado os fundamentos. Bohbot argumenta que os riscos de escassez não recuaram com a valorização, pelo contrário, as condições estruturais que os sustentam continuam se agravando, o que mantém o ativo em foco entre operadores de commodities agrícolas.

O cenário descrito eleva a relevância do açúcar no radar de mercados que acompanham commodities agrícolas, com potencial impacto sobre contratos futuros negociados em bolsas internacionais e sobre empresas do setor sucroalcooleiro com exposição a preços externos.

Editorial BolsaNews

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