O fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira deu uma guinada na última semana. Depois de uma sequência de resgates que somou quase R$ 22 bilhões ao longo de agosto, investidores internacionais retornaram ao mercado acionário local e injetaram R$ 3,2 bilhões no período, revertendo parte das saídas recentes. No acumulado de 2024, o saldo de capital externo no mercado à vista permanece positivo em R$ 16 bilhões.
O movimento impulsionou o Ibovespa, principal índice da B3, que registrou valorização de 2,71% em termos nominais e de 1,9% em dólares no intervalo, colocando a bolsa brasileira na liderança isolada entre os principais mercados do mundo e entre os índices de economias emergentes na semana.
Segundo o Bank of America, o Brasil se beneficiou de uma rotação geográfica dentro do universo dos mercados emergentes. Os fundos dessa categoria, excluindo a China, captaram US$ 700 milhões na semana. A Coreia do Sul, que havia acumulado aportes estrangeiros expressivos nos meses anteriores, registrou saídas relevantes de capital, e parte dessa liquidez foi redirecionada para a América Latina, que recebeu US$ 200 milhões, e para fundos com mandato exclusivo para o Brasil, que captaram US$ 100 milhões.
Um dos fatores que os estrategistas do banco apontam como atrativo para o mercado local é o nível de valuation da bolsa brasileira. Considerando o múltiplo de preço sobre lucro projetado para os próximos 12 meses, a B3 opera com desconto de 23% em relação à sua própria média histórica e de 17% frente aos pares latino-americanos, o maior deságio entre as bolsas da região.
O retorno dos fluxos ocorre em um contexto de maior apetite por risco em mercados emergentes e de recomposição de portfólios por parte de gestores internacionais. Analistas monitoram se o movimento tem continuidade ou se reflete apenas um reposicionamento pontual após as saídas concentradas de agosto, período que coincidiu com episódios de aversão ao risco nos mercados globais.
Editorial BolsaNews





