O Gabinete do Inspetor-Geral do Federal Reserve publicou nesta quarta-feira um relatório no qual conclui que o banco central americano deveria fortalecer os mecanismos que controlam o compartilhamento de informações confidenciais com os conselhos diretores de seus 12 bancos regionais. O documento aponta lacunas que, segundo o órgão fiscalizador, podem expor a instituição a riscos de uso indevido de dados sensíveis sobre política monetária.
Segundo o Valor Econômico, o inspetor-geral identificou episódios em que conselheiros receberam informações produzidas por formuladores de política monetária antes ou imediatamente após reuniões do colegiado. Esses conselhos reúnem banqueiros do setor privado e líderes empresariais, o que torna o fluxo irrestrito de dados não públicos um ponto de atenção, dado o potencial de uso dessas informações para benefício pessoal.
Os conselhos dos bancos regionais têm atribuições formais no processo de definição da taxa cobrada na janela de desconto do Fed, mecanismo pelo qual instituições financeiras captam recursos emergenciais junto ao banco central. Essa taxa mantém correlação estreita com a taxa básica de juros americana e é monitorada de perto pelos mercados globais. Em suas reuniões periódicas, os conselheiros interagem com os presidentes dos bancos regionais, que integram o comitê de política monetária da instituição.
O relatório recomenda que novos integrantes dos conselhos sejam submetidos a um processo formal de orientação que contemple seus deveres como conselheiros, a legislação federal aplicável a conflitos de interesse e as penalidades de natureza criminal previstas para eventuais infrações. A medida busca reduzir o risco de que informações privilegiadas circulem sem o devido controle entre o corpo técnico do Fed e representantes ligados ao setor financeiro privado.
A divulgação do relatório ocorre em um contexto de escrutínio elevado sobre práticas de governança no Fed, após episódios anteriores de questionamentos relacionados a negociações de ativos financeiros por diretores da instituição. O reforço de barreiras informacionais integra um debate mais amplo sobre transparência e controles internos em bancos centrais, com potencial de repercutir nas discussões sobre credibilidade institucional do Fed nos mercados globais.
Editorial BolsaNews





