
O Boletim Focus divulgado nesta semana pelo Banco Central trouxe um sinal de alerta: a projeção mediana de inflação para 2026 subiu de 4,99% para 5,01% ao ano, ultrapassando o teto da meta oficial, fixado em 4,5%. Para 2027, a estimativa está em 4,30%, também acima do centro da meta, indicando que o mercado não enxerga uma queda rápida da inflação nos próximos anos.
No campo do crescimento, a expectativa para o PIB de 2026 recuou ligeiramente, de 1,86% para 1,85%. A projeção para 2027 é ainda mais modesta, de 1,40%, sugerindo que os analistas antecipam uma desaceleração relevante da economia à frente. O conjunto dos dados pinta um cenário de expansão fraca combinada com inflação persistente.
Já a taxa básica de juros (Selic) projetada para o fim de 2026 permaneceu em 13,50%, sem qualquer alteração frente à semana anterior. O número indica que o mercado avalia haver pouco espaço para novos cortes além dos já sinalizados pelo Banco Central, especialmente enquanto a inflação projetada segue acima da meta. O câmbio também ficou estável, com a mediana mantida em R$ 5,20 para o fim de 2026, sem pressões adicionais de alta ou baixa precificadas no momento.
No radar dos ativos, o ambiente de inflação acima da meta e crescimento em desaceleração tende a limitar o apetite por risco na bolsa, especialmente em setores mais sensíveis ao nível dos juros. A curva de juros futuros segue pressionada diante da perspectiva de Selic elevada por período prolongado, com pouco espaço para alívio nas taxas mais longas.
Para as próximas semanas, o mercado acompanha de perto os dados de inflação de curto prazo, como o IPCA-15, os comunicados do Banco Central sobre o ritmo do ciclo de juros, os indicadores de atividade econômica e o comportamento do câmbio, que, caso se deprecie, pode pressionar ainda mais as projeções de inflação. O cenário fiscal também permanece como fator de risco no horizonte.





